Marfrig (MRFG3) vende ativos – e ações disparam – para Minerva (BEEF3), cujos papéis desabam

Marfrig afirmou que operação faz parte de seu objetivo de se concentrar em produtos de maior valor agregado

A Marfrig (MRFG3) anunciou nesta terça-feira (29) a venda de 16 frigoríficos e um centro de distribuição para para a rival Minerva (BEEF3) por R$ 7,5 bilhões.

As ações das companhias exibiam desempenhos completamente contrários na bolsa paulista após o anúncio, com especialistas se concentrando no efeito do negócio sobre a alavancagem financeira das empresas.

A transação envolve 11 unidades de bovinos no Brasil (incluindo 3 inativas), uma na Argentina, três no Uruguai e uma unidade de ovinos no Chile, além de um centro de distribuição no Brasil.

O pagamento inclui R$ 1,5 bilhão na assinatura do contrato e R$ 6 bilhões no fechamento da transação.
Além disso, considerando a Receita dos ativos negociados, de R$ 15,6 bilhões em 2022, a transação implica em um múltiplo de receita.

No pregão da B3, a ação da Marfrig deu um salto de 10,70%, enquanto a da rival Minerva desabou 18,26%. Enquanto isso, o Ibovespa evoluiu 1,10%.

Reações

Em relatório a clientes, o BTG Pactual mostrou frustração com o efeito do negócio para a Minerva.

“Nossa esperança de que a Minerva finalmente entrasse em um ciclo de margens mais favorável e a geração de caixa livre será colocada em espera”, afirmaram Thiago Duarte e Henrique Brustolin, do BTG Pactual.

“Haverá muito para digerir e integrar nos novos ativos antes de poder concretizar as sinergias”, acrescentou o BTG.

Já o Santander ponderou que, embora a transação deva ser percebida pelo mercado com uma leitura de curto prazo mais negativa, por causa do maior endividamento, num cenário mais longo a expectativa é positiva.

“A alta alavancagem no curto prazo, combinada com dividendos mais baixos e uma maior concentração de portfólio (especialmente no Brasil), pode ser preocupante para os investidores à primeira vista, embora esperemos que a aquisição seja digerida em 12 a 18 meses, dada a ampla disponibilidade de gado no Brasil”, afirmaram Rodrigo Almeida e Laura Hirata, do Santander

Por sua vez, o Itaú BBA pontuou que a operação está em linha com as estratégias que têm sido indicadas por ambas as companhias.

“Acreditamos que a melhora do balanço da Marfrig provavelmente a deixará em melhor posição para navegar pela turbulência que poderá surgir à medida que a disponibilidade de gado nos EUA diminuir nos próximos anos”, escreveu o analista do BBA Gustavo Troyano.

Para a Minerva, afirmou Troyano, o negócio é visto como uma aposta na capacidade da empresa de melhorar a rentabilidade dos seus novos ativos para algo mais próximo do nível de suas operações atuais, ou seja, uma aposta na sua capacidade de execução.