Ibovespa fecha em alta de 1,07% e sobe pela 5ª sessão seguida; dólar cai quase 1% e vai a R$ 5,39

Bolsa de valores hoje: veja como se comportaram o Ibovespa e o dólar nesta segunda-feira (24) e o que movimentou os ativos

O Ibovespa iniciou a semana com ganhos firmes, avançando pela quinta sessão consecutiva nesta segunda (24), enquanto agentes seguem ponderando as perdas sofridas pelos ativos locais nas últimas semanas e em nova sessão de recuo dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos. No entanto, o giro financeiro do índice segue reduzido.

Ibovespa hoje

No fim do dia, o Ibovespa subiu 1,07%, aos 122.637 pontos. Nas mínimas intradiárias, tocou os 121.307 pontos, e, nas máximas, os 122.840 pontos.

O volume financeiro negociado na sessão (até as 17h15) foi de R$ 13,18 bilhões no Ibovespa e R$ 17,80 bilhões na B3.

Depois de encerrar a última semana com ganhos, em meio a relatos de movimento de correção nos mercados locais após perdas recentes, o Ibovespa aprofundou a dinâmica hoje, ainda que com liquidez limitada.

O movimento coincide com uma melhora marginal nos dados de fluxo estrangeiro na B3 e ocorre antes de divulgações importantes, como a ata da última decisão do Copom e o IPCA-15 por aqui e, nos EUA, o PCE, medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed).

Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, enxerga uma melhora mais técnica do que estrutural por ora, impulsionada pela decisão unânime do Copom na semana passada e pelo patamar deprimido dos preços das ações brasileiras. Mas segue à procura de gatilhos que possam ajudar a impulsionar uma recuperação mais fundamentada do mercado.

“O que gera fluxo é confiança, perspectiva, e o noticiário tem sido muito negativo. Por isso o Copom pode ter trazido um alívio. Mas seguimos dependendo de uma clareza maior sobre o cenário de juros nos Estados Unidos, que pode trazer fluxo para outras coisas que não sejam o setor de tecnologia dos EUA; e, localmente, uma sinalização sobre as incertezas fiscais do país”, diz.

Enquanto isso, a casa está cautelosa e com proteções consideráveis nos portfólios. “Investidores têm buscado empresas de valor, dominantes nos setores que atuam, que geram caixa e que estão descontadas porque os lucros cresceram e as ações não andaram. Não temos visto ninguém buscando, por exemplo, empresas que estão tentando ‘turn around’ ou que estejam em processo de fusão e aquisição”, afirma.

“Por outro lado, como o giro financeiro está baixo, o mercado tende a se mexer rapidamente, então é preciso buscar algum nível de exposição para não perder parte de um possível rali.”

Na sessão, alta praticamente generalizada das ações do Ibovespa. Entre as empresas mais pesadas do índice, Petrobras ON subiu 1,91% e Itaú PN subiu 1,44%. Já Magazine Luiza ON teve ganhos de 12,21% após anunciar acordo com a AliExpress.

Dólar hoje

O dólar à vista encerrou a sessão em retração contra o real, permanecendo abaixo de R$ 5,40. O movimento foi lido como uma correção de excessos, após semanas de depreciação da moeda brasileira.

A melhora no humor global também ajudou, segundo operadores. Assim, terminada a sessão, o real permaneceu entre as cinco melhores performances do dia, do ranking das 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor.

No fechamento, o dólar comercial registrou queda de 0,92%, a R$ 5,3909, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,3762 e encostado na máxima de R$ 5,4372.

Já o euro comercial teve depreciação de 0,51%, a R$ 5,7876.

No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis divisas de mercados desenvolvidos, recuava 0,31%, aos 105,467 pontos, perto das 17h10.

Desde o início da sessão, o dólar exibiu depreciação frente ao real. Operadores de câmbio disseram que, após a forte desvalorização forte da moeda brasileira, era esperado uma realização de quem estava comprado em dólar.

Houve menção a um fluxo de “corporate”, que seria uma possível internalização de capital por empresas brasileiras que têm recursos no exterior.

O alívio no mercado de câmbio já era esperado há algumas sessões, ao menos desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), após decisão unânime do colegiado.

A leitura é de que, nos dois dias seguintes, quando ocorreu algum alívio na bolsa e no mercado de juros, a moeda brasileira teve dificuldade de se recuperar diante do fortalecimento global do dólar. Assim, com a moeda dos Estados Unidos mais fraca hoje, o real conseguiu recuperar terreno.

Para o operador de câmbio de uma gestora, enquanto não for apresentado algum projeto concreto em direção do equilíbrio fiscal, o câmbio deve ter dificuldade de recuperação, ainda que o exterior ajude.

“Vimos essa melhora mais forte hoje, mas continuamos com o dólar em patamar bastante elevado, se considerado o que estávamos acostumados a ver no fim do ano passado e começo deste ano. Ainda tem gordura para ajustar, mas isso só vai ocorrer se não piorar a percepção de risco aqui”.

Economistas já começam a ajustar suas perspectivas sobre o câmbio para este e para os próximos anos. No relatório Focus, a projeção para o dólar no fim deste ano subiu de R$ 5,13 para R$ 5,15.

Hoje, o PicPay também anunciou sua atualização de projeção para a moeda americana contra o real. Para o fim de 2024, o economista-chefe da casa, Marco Antonio Caruso, alterou sua estimativa de dólar a R$ 5,00 para R$ 5,30.

O executivo lembra que as apostas contra o real estão nas máximas de uma década, o que faz com que o movimento de dólar forte possa ser mais permanente no país do que era imaginado.

“Ainda mais porque essa alta do dólar veio com uma volatilidade baixa, o que parece uma contradição, mas sugere um caráter mais duradouro”, diz.

Para o ano que vem, o PicPay já projetava um cenário mais desafiador para o real, o que se mantém na revisão de cenário atual, com a projeção para o dólar no fim de 2025 subindo de R$ 5,10 para R$ 5,30.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam o pregão de hoje sem direção única, com a forte correção de ações do setor de tecnologia puxando para baixo os índices S&P 500 e Nasdaq, apesar de um dia positivo para a maior parte dos outros setores do mercado acionário americano.

Com menor concentração de empresas de tecnologia, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,67%, a 39.411,21 pontos. Já o S&P 500 recuou 0,31%, a 5.447,87 pontos, e o Nasdaq teve forte queda de 1,09%, a 17.496,82 pontos.

Após o rali de ações beneficiadas pelo otimismo do mercado com a inteligência artificial (IA) generativa, os mercados de Nova York sofrem com uma forte correção do setor nos últimos pregões.

A NVidia acumulou hoje o seu terceiro dia seguido em queda e já perdeu mais US$ 400 bilhões em valor de mercado desde a sua máxima na semana passada. O recuo foi de 6,68% nesta segunda-feira.

Já a Super Micro Computer, que chegou a exibir alta de 200% no acumulado de 2024, cedeu 8,65% hoje. Logo atrás, Qualcomm e Broadcom recuaram 5,50% e 3,70%, respectivamente.

Nem mesmo o tom mais acomodatício de Mary Daly, presidente do Federal Reserve (Fed) de San Francisco, foi suficiente para dar algum fôlego às ações de tecnologia. Segundo ela, o banco central americano precisa ficar atento tanto aos riscos para a sua meta de pleno emprego quanto à inflação.

Bolsas da Europa

Os principais índices acionários europeus encerraram a segunda-feira (24) em alta, enquanto os investidores da região se preparam para a agenda econômica da semana.

A agenda conta com decisões de política monetária dos bancos centrais da Suécia e da Turquia, além de dados do produto interno bruto (PIB) da Espanha e da França, juntamente com as eleições parlamentares do país, que serão realizadas no domingo, 30.

O índice Stoxx 600 subiu 0,84%, a 519,42 pontos, com o setor automobilístico liderando as altas ao valorizar 1,6%, ao passo que o setor tecnológico caiu 0,7, ficando na ponta oposta. O DAX, de Frankfurt, avançou 0,89%, a 18.325,58 pontos, o CAC 40, de Paris, escalou 1,03%, para 7.706,89 pontos, recuperando-se das perdas recentes de quase 10% em um mês, com os investidores comprando pechinchas. O FTSE 100, da bolsa de Londres, anotou alta de 0,53%, para 8.281,55 pontos.

Entre as ações, o destaque do dia foi a seguradora Prudential, que fechou em alta de 7,32% após a empresa anunciar um plano de recompra de ações. Na ponta oposta, o destaque foi a Eurofins Scientific, que caiu 16,09%.

Com informações do Valor Econômico

Leia a seguir

Leia a seguir