Juros: Taxas se ajustam em baixa na sessão à melhora externa, mas curva inclina no mês

A curva fecha setembro com ganho de inclinação em relação ao fim de agosto, atribuído essencialmente à piora do cenário internacional

Os juro futuros fecharam a sexta-feira (29) em baixa, aproveitando a melhora do ambiente externo para corrigir excessos de prêmios acumulados nos últimos dias. O movimento foi respaldado pelo recuo nos rendimentos dos Treasuries, na queda do dólar e das commodities. À tarde, houve um pouco mais de cautela no exterior, em meio a negociações em para evitar o shutdown nos EUA, mas que acabou não interferindo na trajetória das taxas locais.

Ainda assim, na semana, as taxas subiram em bloco, sem alterações relevantes nos níveis de inclinação. Porém, a curva fecha setembro com ganho de inclinação em relação ao fim de agosto, atribuído essencialmente à piora do cenário internacional.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 fechou em 10,840%, de 10,967% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 caiu de 10,75% para 10,58%. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 10,81% (10,98% ontem) e o DI para janeiro de 2029, de 11,29% (mínima), ante 11,46% no ajuste anterior.

No dia, clima mais ameno no exterior

Nesta sexta, o clima mais ameno no exterior encorajou um ajuste em baixa, após a escaladas dos prêmios nos últimos dias. Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, o mercado já começou o dia “bem postado” para a queda das taxas, por causa do ambiente global favorecido pelo recuo das taxas americanas. “Os dados nos EUA caminharam nesta direção, com o índice do PCE pouco abaixo do esperado e os do sentimento do consumidor”, disse.

O índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu ligeiramente menos que o esperado, tanto no índice cheio (0,4%) quanto no núcleo (0,1%), para os quais os consensos eram de 0,5% e 0,2%. Já a pesquisa da Universidade de Michigan mostrou que as expectativas para a inflação em 12 meses caíram 3,5% em agosto a 3,2% em setembro, o menor nível desde março de 2021, segundo a instituição.

Com isso, as taxas das Treasuries operaram em baixa e também o dólar ante as demais moedas. Petróleo e grãos também recuaram. “Num primeiro momento, os indicadores sugerem que o Federal Reserve poderá não ser tão duro na política monetária”, afirma Borsoi. À tarde, no entanto, os rendimentos dos títulos do Tesouro zeraram a queda e o recuo do dólar também perdeu força, depois que a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou a proposta republicana por uma resolução orçamentária que, de maneira temporária, poderia evitar a paralisação do governo a partir do próximo domingo.

No Brasil, déficit primário no radar

Internamente, a agenda trouxe dois destaques. A Pnad Contínua mostrou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto ficou em 7,8%, em linha com a mediana das estimativas. É o nível mais baixo desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2025 (7,5%). A massa salarial subiu para o nível recorde de R$ 288,946 bilhões. “Isso indica mais uma vez que o PIB deste ano deve avançar de maneira mais significativa. Mantemos por ora nossa projeção de PIB em 3% para 2023, mas podemos revisar facilmente para 3,5% caso outros indicadores corroborem para o bom momento”, afirma o economista André Perfeito.

Outro destaque foi o resultado do setor público consolidado, com déficit primário de R$ 22,830 bilhões em agosto, no melhor desempenho para o mês desde 2021 (superávit de R$ 16,729 bilhões). O resultado ficou menos negativo do que a mediana deficitária de R$ 26,500 bilhões apurada pela pesquisa do Projeções Broadcast.

Com informações do Estadão Conteúdo.