Dirigentes do Fomc não falaram sobre cortar juros em um mês específico, diz Powell

Para presidente do Fed, decisão de cortar os juros nos EUA vai depender dos dados recebidos, da evolução das perspectivas e do equilíbrio dos riscos

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afirmou que os dirigentes do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) não bateram o martelo sobre quando começar a cortar os juros dos Estados Unidos.

“Tomamos decisões reunião por reunião e não tomamos nenhuma decisão sobre reuniões futuras hoje”, disse Powell, em coletiva de imprensa, no período da tarde desta quarta-feira (20), quando o Fomc decidiu manter a taxa básica de juros inalterada na faixa entre 5,25% e 5,50%, em linha com as expectativas dos analistas do mercado financeiro.

De acordo com ele, a decisão de cortar os juros no país vai depender dos dados recebidos, da evolução das perspectivas e do equilíbrio dos riscos.

O presidente do Fed reafirmou que os dirigentes do Fomc esperam ver mais dados que os permitam ter uma maior confiança de que a inflação nos EUA está a recuar de forma sustentável para a meta, de 2% ao ano. “Não falamos sobre cortar os juros em algum mês específico”, comentou.

Ele destacou que será adequado relaxar a política monetária nos Estados Unidos em algum momento neste ano, caso o quadro da maior economia do mundo permaneça à frente. As decisões de juros no país, porém, seguirão sendo tomadas a cada reunião, conforme ele.

“Juros devem estar em seu pico neste ciclo. Queremos ter mais confiança de que inflação segue para nossa meta de 2%”, disse Powell.

O presidente do Fed afirmou ainda que as projeções econômicas divulgadas nesta quarta-feira serão “adequadas”, conforme o quadro econômico nos EUA evoluir.

“A trajetória da política monetária será ajustada conforme apropriado para promover os nossos objetivos de máximo emprego e estabilidade de preços”, disse Powell.

Longo prazo

O presidente do Federal Reserve afirmou que não é possível afirmar que os juros nos Estados Unidos serão mais elevados em um prazo mais longo. Ele disse que não vê as taxas norte-americanas retornando a “níveis mais baixos” do que aqueles vistas no período pré-pandemia”.

“Em todo o mundo, as taxas de longo prazo estavam iguais ou abaixo de zero. Mas acho que há uma tremenda incerteza em torno disso”, afirmou Powell.

Inflação um pouco acima do previsto

O presidente do Federal Reserve avaliou que a economia dos Estados Unidos está desempenhando bem, mas admitiu uma inflação mais forte do que as expectativas.

“A economia está a funcionar, a funcionar bem. Os dados de inflação vieram um pouco mais altos. Mesmo assim, continuamos a fazer bons progressos na redução da inflação”, disse Powell.

Ele afirmou ainda que o Fed vai alcançar a sua meta de inflação de 2% ao ano com o tempo.

“Esse é o nosso objetivo e vamos alcançá-lo. Os mercados acreditam que alcançaremos esse objetivo”, disse Powell.

O presidente do Fed acrescentou que as altas menores em aluguéis nos EUA devem se refletir na inflação, mas ainda não é possível saber quando. “Há um pouco de incerteza sobre quando isso acontecerá”, concluiu.

Riscos para os dois lados

O presidente do Federal Reserve ainda afirmou que há riscos para os dois lados, de um corte muito rápido de juros ou a demora de seguir nesta direção. “Estávamos em uma situação em que se aliviarmos muito ou muito cedo, poderemos ver a inflação voltar e se fizermos isso muito tarde, podemos causar danos desnecessários ao emprego”, comentou.

Powell afirmou que em um cenário de crescimento econômico, mercado de trabalho forte e inflação em queda, o caminho de política monetária tem de ser avaliado “com cuidado”.

Segundo ele, a resposta está nos dados. No entanto, Powell ponderou que o Fed não vai agir “em demasia” a um dado específico.

Powell voltou a admitir que os números da inflação norte-americana no mês de janeiro foram “muito elevados”, mas que podem ter impactados por um fator sazonal. Por sua vez, os dados de fevereiro também superaram as expectativas do mercado, afirmou.

“Vejo o quadro de inflação nos EUA desacelerando, às vezes com sobressaltos, e isso prossegue”, disse. “Não vamos reagir exageradamente a esses dados de dois meses nem vamos ignorá-los”, acrescentou.

Balanço de ativos

Ele afirmou ainda que a autoridade pretende reduzir o ritmo de redução do seu balanço de ativos em breve. Ele ponderou, contudo, que embora o tema tenha sido discutido na reunião de hoje, nenhuma decisão foi tomada.

“Será apropriado abrandar o ritmo de redução do balanço de ativos muito em breve”, enfatizou Powell.

De acordo com ele, o abrandamento do ritmo de liquidação de ativos ajudará a garantir uma transição suave, reduzindo a possibilidade de os mercados monetários sofrerem “tensão” e diminuindo as participações do Fed em títulos, consistente com o alcance do nível apropriado, de amplas reservas.

“Continuamos empenhados em reduzir a inflação para o nosso objetivo de 2% ao ano, a fim de mantermos bem ancoradas as nossas expectativas de inflação a longo prazo”, reforçou o presidente do Fed.

Com informações do Estadão Conteúdo