Bolsa inicia mais um pregão do agosto vermelho de olho na inflação oficial do país

Notícias boas e ruins marcam o cotidiano do mercado neste mês sem alterar a situação

Queda da taxa de juros básica da economia, a Selic, de 13,75% para 13,25%, balanços de grandes empresas divulgados e a situação na China inspirando preocupação. Notícias boas e ruins marcaram o cotidiano do mercado em agosto sem que o sinal negativo se alterasse na bolsa de valores.

Assim, a bolsa inicia nesta sexta-feira o último pregrão da semana amargando oito quedas consecutivas.

A pequena redução de ontem (0,05%, deixando a bolsa em 118.349 pontos) ampliou o desempenho ruim no mês: queda de 2,95% até o momento, o que por sua vez reduz os ganhos no ano. Em 2023 a bolsa acumula alta de 7,85%, índice que já foi maior.

Divulgação do IPCA

A série de notícias com as quais o mercado lida em agosto se amplia hoje com um fato importante: mais tarde, por volta das 9h, o IBGE divulgará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O dado é importante pois se trata da inflação oficial do país.

O índice pode reforçar uma expectativa sobre cortes de meio ponto na Selic, como desenhado pela ata divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), ou pode reforçar o argumento daqueles que já defendem um movimento mais ousado, de queda de 0,75% da taxa básica de juros.

Bolsas asiáticas

Os mercados acionários da Ásia tiveram dia negativo, nesta sexta-feira. Houve perdas de pouco mais de 2% em Xangai, enquanto a Bolsa de Tóquio não operou, devido a um feriado no Japão.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em queda de 2,01%, em 3.189,25 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 1,92%, para 2.094,55 pontos.

Investidores mostravam cautela com o caso da Country Garden, incorporadora chinesa que deixou de fazer pagamentos de juros nesta semana, o que poderia resultar em default.

As perdas ocorreram em quase todos os setores, com o financeiro puxando o movimento negativo. Citi Securities registrou baixa de 4,3%, e China International Capital, de 5,9%. No setor de energia, PetroChina caiu 1,6% e Sinopec, 1,9%. Com isso, a Bolsa de Xangai teve perda de cerca de 3% na semana.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu hoje 0,90%, a 19.075,19 pontos. A praça local teve a segunda semana seguida de perdas, também em meio a temores sobre o quadro na China. A perspectiva de política monetária ainda apertada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também pesava, segundo o Saxo Markets.

Entre os setores, saúde e tecnologia puxaram as perdas, com Alibaba Health Information Technology em queda de 5,5% e JD Health, de 3,3%.

Na Coreia do Sul, na Bolsa de Seul o índice Kospi fechou em baixa de 0,40%, em 2.591,26 pontos. Chegou a haver ganhos no dia, mas o Kospi não se sustentou, com temores sobre a inflação pesando. Entre papéis em foco, Kum Yang recuou 9,5% e Young Poong Paper Manufacturing, 7,4%. Em Taiwan, o índice Taiex caiu 0,20%, a 16.601,25 pontos.

Com informações da Dow Jones Newswires e Estadão Conteúdo