Bitcoin desaba 20% e mercado cripto perde US$ 180 bi em semana tensa com quebra da FTX

Nesta sexta, as criptomoedas mais uma vez deixaram de seguir os demais ativos de risco, particularmente a Nasdaq, que subiu 1,88%

Os mercados de criptoativos chegaram ao final do último dia útil de uma das semanas mais tensas do setor de ativos digitais com perdas da ordem de US$ 180 bilhões. O bitcoin, maior e mais popular das criptomoedas, perdeu 20% de seu valor desde domingo e voltou a ser negociado na casa de US$ 16 mil, menor valor desde novembro de 2020.

No aniversário de um ano da maior cotação já atingida, de quase US$ 69 mil, o bitcoin sofreu um novo golpe com o pedido de recuperação judicial da FTX.com, até a semana passada uma das maiores e mais sólidas empresas do segmento. Nesse um ano, a moeda digital sofreu com o fim da liquidez farta e aperto monetário pelo Federal Reserve, além de sucessivos ataques de hackers, implosão do sistema Terra Luna e agora o colapso da FTX. Desde o pico, o bitcoin perdeu 74,3% de seu valor, segundo o CoinGecko.

Nesta sexta, as criptomoedas mais uma vez deixaram de seguir os demais ativos de risco, particularmente a Nasdaq, que subiu 1,88%.

Um dos piores desempenhos foi da sol (SOL), moeda nativa da rede Solana, que tem entre os investidores a FTX. A sol derreteu mais 13% com a recuperação judicial da FTX, acumulando perdas na semana de 48%.

Perto das 18h45 (horário de Brasília), o bitcoin era negociado a US$ 16.799, com baixa de 6,2% nas últimas 24 horas. Já o ether, segunda maior das criptomoedas, recuava 4,7%, a US$ 1.266,32. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas era de US$ 891 bilhões – US$ 179 bilhões menos do que na manhã de segunda-feira desta semana.

Em reais, as criptomoedas foram ainda prejudicadas nesta sexta pela baixa 1,1% do dólar, que no dia anterior tinha suavizado as perdas das moedas digitais com alta de 4,15%. O bitcoin recuava 5,98% a R$ 89.804, enquanto o ethereum caía 4,51% a R$ 6.779,87, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Para Tasso Lago, fundador da Financial Move, a quebra da FTX pode ter consequências graves e imprevisíveis para todo o mercado cripto, incluindo o brasileiro.

“A FTXs falindo leva junto 130 empresas, mais as corretoras e fundos que podem ter exposição e capital nela. Isso gera um risco sistêmico e de mercado muito grande. É impossível saber e prever com certeza quais são as outras empresas que seriam afetadas por eles”, disse.

“Aos poucos o estrago que a insolvência da FTX causou vai aparecendo. Nos próximos dias mais efeitos colaterais irão aparecer e o mercado pode sofrer ainda mais. Mesmo com o alívio de ontem dos dados de inflação, que vieram abaixo do esperado, a alta do mercado cripto parece insustentável”, disse André Franco, chefe de pesquisa do MB.