André Esteves: Não é o fim do mundo se Banco Central parar corte de juros

O presidente do conselho de administração do BTG Pactual disse estar tranquilo e confiante na governança do BC

O presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que “não é o fim do mundo” se o Banco Central der uma parada técnica no corte de juros na próxima reunião do Copom, “em decisão unânime”. “É até recomendável”, afirmou ao participar de evento promovido pela Previ em São Paulo.

Segundo ele, uma decisão como esta pode gerar uma “chiadeira” no mundo político, mas será boa, gerando até mesmo uma queda na parte média da curva de juros futuro. “Se for nove a zero pela manutenção dos juros, a taxa de médio prazo vai até cair. Se [a Selic] cair de maneira forçada, vai ter o efeito contrário, a taxa média vai subir.”

Ele comenta que, segundo o “livro-texto” de economia, quando existem dúvidas sobre a autoridade monetária, cabe ao gestor responder, reconquistando as expectativas. “A credibilidade a ser ganha com isso será usada a nosso favor lá na frente.”

Decisões do Banco Central

Para ele, é preciso ter serenidade e pensar no médio e longo prazo. Ainda assim, Esteves lembrou que essa será a primeira transição de comando no Banco Central após a independência da autarquia, e que no geral todos os stakeholders (partes afetadas) têm tido um comportamento bom. “Pode ter uma fricção aqui e ali, mas para as gerações que vêm pela frente, é bom que seja uma transição da maneira mais harmoniosa possível”, afirmou.

Assim, Esteves disse ainda estar tranquilo e confiante na governança do BC. “Tomam-se decisões técnicas, nesta diretoria e na futura. A situação vai evoluindo quando a instituições ficam maiores que as pessoas que estão ali.”

Sobre o Federal Reserve, o banqueiro acredita que haverá um corte de juros ainda este ano, em setembro ou um pouco mais para frente. “A direção é esta e isso é bom para o Brasil.”

Com informações do Valor Econômico