Bradesco (BBDC4) perde uma BRF na bolsa em um dia. O que aconteceu?

Resultado trimestral mais uma vez frustrou o mercado, enquanto o plano estratégico apresentado pelo CEO Marcelo Noronha indicou um longo caminho de recuperação

As ações do Bradesco (BBDC4) desabaram 15,7% nesta quarta-feira, após o banco ter apresentado seu balanço do quarto trimestre e um plano estratégico para os próximos cinco anos.

Em valor de mercado, o banco fechou o dia valendo cerca de R$ 140 bilhões, uma queda aproximada de R$ 24 bilhões, equivalente ao valor da BRF (BRFS3), de acordo com o consultor Einar Rovero.

Com isso, o banco caiu no ranking dos maiores bancos do país em valor de mercado, segundo dados do Broadcast.

Confira:

  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 312 bilhões
  • BTG Pactual (BPAC11): R$ R$ 178 bilhões
  • Banco do Brasil (BBAS3): R$ 170 bilhões
  • Bradesco (BBDC4): R$ 141 bilhões

O que aconteceu?

O Bradesco (BBDC4) anunciou pela manhã que seu lucro de 2023 somou R$ 16,3 bilhões, uma queda de 21,2% sobre o ano anterior.

Isoladamente, o lucro do quarto trimestre cresceu no comparativo anual, mas ficou abaixo da previsão de analistas.

Isso porque o Bradesco (BBDC4) reservou mais dinheiro para compensar perdas esperadas com calotes de pessoas e empresas.

Em cifras, a chamada provisão para devedores duvidosos do ano passado beirou os R$ 40 bilhões, um aumento de 22% ano a ano.

Com isso, a instituição descumpriu várias das previsões que tinha traçado para o ano. A carteira de crédito, por exemplo, que deveria ter crescido até 5%, encolheu 2,8%.

“Os resultados do quarto trimestre continuaram fracos, abaixo do esperado e abaixo da média do setor”, resumiu a Guide Investimentos.

O banco também apresentou suas previsões de desempenho para 2024, incluindo a de acelerar a carteira de crédito, o que agradou o mercado.

Plano estratégico do Bradesco (BBDC4)

O Bradesco ainda apresentou um plano estratégico para os próximos cinco anos.

“Todos os olhos estão postos na reestruturação!”, resumiu a XP Investimentos, afirmando que o resultado trimestral ficaria em segundo plano.

O programa inclui redução de custos, maior foco em clientes de alta renda e em pequenas e médias empresas.

O objetivo é aumentar a rentabilidade para níveis próximos dos dados históricos.

O ROE (rentabilidade sobre o patrimônio líquido), índice que mede essa lucratividade, foi de 10% no Bradesco em 2023.

Porém, na apresentação a investidores, o presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, indicou que 2024 será “um ano de tranisção”.

Além disso, afirmou que o ROE do banco “vai superar o custo de capital” somente em 2026.

Isso significaria algo ao redor de 15%. Portanto, ainda abaixo dos 18% que ostentava três anos atrás.

Ou seja, o caminho de recuperação será longo e tortuoso, segundo analistas.

Nas contas do BTG Pactual, indicadores antecedentes aponta que o lucro do Bradesco em 2024 virá abaixo de R$ 20 bilhões, cerca de 15% abaixo da previsão média do mercado.

“O canal bancário ainda está bastante ineficiente, serão um ou dois anos de reestruturação na operação de crédito”, disse o analista Milton Rabelo, da VG Research.

Derrocada

Esse conjunto foi um balde de água fria para investidores que esperavam por um catalisador para as ações, após anos de queda dos lucros.

Desde 2020, a lucratividade do banco caiu praticamente à metade.

Com a queda desta quarta-feira, a ação do Bradesco acumula desvalorização de aproximadamente 70% nos últimos cinco anos.