Ibovespa fecha em queda de 1,69% e dólar avança a R$ 4,92 com guerra e juros em alta

Bolsa de valores hoje desce e dólar sobe com alta de juros nos EUA; mercado aguarda dados de China e EUA e repercute serviços no Brasil

A bolsa de valores hoje desceu e o dólar subiu com os investidores repercutindo cenário externo, em especial, a guerra no Oriente Médio. Além disso, juros em alta, nos EUA e no Brasil, e expectativa sobre dados da China e Livro Bege americano pesam sobre o humor do investidor .

Assim, nesta terça-feira (16), o Ibovespa fechou em queda de 1,69%, a 129.294,04 pontos, perto da mínima do dia. No pregão anterior, o principal índice da bolsa fechou em alta, impulsionado pela Petrobras e pelos bancos.

“O IBOV perdeu suporte importante de 130 mil pontos e isso está muito atrelado à intensidade do conflito no Mar Vermelho, que está gerando instabilidade no Brasil e no mundo”, diz Dierson Richetti, especialista em investimento e sócio da GT Capital.

“As maiores operadoras de containers e navios graneleiros estão tendo que desviar a rota. E isso acaba gerando custos extras e encarecendo a logística”, complementa.

Dólar hoje

Simultaneamente, o dólar – que funciona como porto seguro em momentos de tensão – fechou em forte alta em relação ao real. A moeda norte-americana subiu 1,22%, cotada a R$ 4,9256. Na máxima do dia, o dólar avançou a R$ 4,93.

Da mesma maneira, no exterior, o dólar se valorizou. O DXY, que mede o desempenho global da divisa dos EUA, subiu 0,74%, a 103,35 pontos.

Ações em alta

Veja as ações que mais subiram na sessão.

  • Intelbras (INTB3) +8,00%
  • Banco Pine (PINE4) +5,52%
  • Três Tentos (TTEN3) +5,22%
  • Plano e Plano (PLPL3) +3,91%
  • Oncoclínicas (ONCO3) +2,20%

Ações em baixa

Confira também os papéis que tiveram as piores quedas do dia.

  • Gafisa (GFSA3) -15,06%
  • Sequoia (SEQL3) -6,67%
  • Ecorodovias (ECOR3) -6,18%
  • Grupo Soma (SOMA3) -6,18%
  • Cosan (CSAN3) -6,14%

Os rankings contemplam ações que compõem ou não o Ibovespa e outros índices e que movimentaram mais de R$ 1 milhão no dia. As cotações foram apuradas depois do fechamento, às 18h07, mas podem ser atualizadas.

Bolsas mundiais: Nova York

As bolsas de Nova York terminaram o pregão desta terça-feira em queda, após o diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller afirmar que existe a possibilidade de haver três cortes de juros este ano, uma dosagem bem mais moderada que a precificada no mercado atualmente.

O índice Dow Jones encerrou o pregão em queda de 0,62%, aos 37.361,12 pontos; o S&P 500 terminou com variação negativa de 0,37%, aos 4.765,98 pontos; e o Nasdaq computou baixa de 0,19%, aos 14.944,35 pontos.

Para o Goldman Sachs, o discurso de Waller amplia o risco de o corte de juros pelo Fed vir depois de março, segundo relatório. Apesar disso, o banco ainda manteve a sua previsão de que o BC americano fará cinco flexibilizações monetárias neste ano.

Europa

As bolsas europeias fecharam em queda pelo segundo dia seguido nesta terça-feira (16) à medida que autoridades do Banco Central Europeu (BCE) mantêm um discurso que reduz a expectativa de alívio monetário no curto prazo na zona do euro. 

Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 cedeu 0,48%, aos 7.558,34 pontos. Da mesma maneira, o Ibex 35, de Madri, marcou recuo de 0,82%, aos 9.994,10 pontos. 

Em Paris, o CAC-40 perdeu 0,18%, aos 7.398,00 pontos. O DAX, de Frankfurt, terminou em baixa de 0,30%, aos 16.571,68 pontos. O PSI 20, de Lisboa, caiu 1,35%, aos 6.415,15 pontos. Por outro lado, em Milão, o FTSE MIB subiu 0,03%, aos 30.337,62 pontos.

Juros afetaram a bolsa de valores hoje

As bolsas pelo mundo operam nas mínimas do ano por conta dos juros. A taxa das tresuries de 10 anos voltaram a ficar acima de 4%. “As tensões se dão pelas incertezas relacionadas ao corte de juros, nos EUA, não sabemos se será em março ou maio. Na Europa, deve vir no final do segundo trimestre”, avalia Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Realização de lucros

Em relatório divulgado na segunda-feira, Fabio Perina, estrategista de ações do Itaú BBA, disse que a semana poderia ser de realizações de lucros.

A tendência negativa da semana anterior poderia se estender se os índices americanos operassem em baixa, como o visto nesta terça, depois do fechamento para o feriado de Martin Luther King, na segunda (15).

Assim, NY “pressionaria o índice nessa região de suporte podendo levar a mais uma semana de realização de lucros”, complementa Perina.

China pode reduzir perdas do Ibovespa

Por outro lado, o economista Paulo Gala destaca como positivas as informações que vêm de Davos, na Suíça, onde autoridades chinesas garantiram um PIB de 5,2% para a segunda maior economia do mundo, “o que é uma excelente notícia porque há crise no setor imobiliário e não houve nenhum estímulo. Ainda assim, a economia cresceu, o que mostra que outros setores estão caminhando, especialmente a indústria”, acrescenta Gala.

O PIB oficial chinês seria divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China às 23h desta terça.

Além disso, o economista destaca o resultado da balança comercial chinesa, que teve superávit recorde, o que acrescenta otimismo relacionado à indústria chinesa. A retomada do gigante asiático pode ajudar também o Brasil, que tem mais de US$ 100 bilhões atrelados às importações chinesas.

Estados Unidos em foco

Já com relação aos Estados Unidos, os investidores aguardam a divulgação do Livro Bege do Fed, que sai na quarta-feira, às 16h de Brasília. Além disso, os discursos de autoridades do Fed ao longo da semana podem movimentar o mercado.

Serviços no Brasil

O PMS, que mede o desempenho do setor de serviços no Brasil, teve crescimento de 0,4% em novembro, “o que afasta a chance de ume recessão”, segundo Gala. “Lembrando que serviços são quase 70% da economia brasileira. Ajuda muito a colocar a atividade em território positivo no quarto trimestre”, acrescenta o economista.

Com informações do Estadão Conteúdo