10 melhores ações de 2023: construtoras lideram altas na bolsa; veja também as piores

Melhores ações de 2023 têm predominância de construtoras e incorporadoras

Entre as melhores ações da bolsa em 2023 até aqui, o destaque fica por conta das construtoras e incorporadoras. As companhias do setor ocupam cinco posições da lista das dez maiores altas da B3 entre empresas com movimentação diária milionária ou mais do que isso. Por outro lado, entre as piores do ano, destaque para a Americanas (AMER3).

Vale destacar que o comportamento anterior dos ativos não significa necessariamente que o desempenho se manterá no futuro. Portanto, é preciso ponderar eventuais mudanças de cenário na hora de investir.

Líderes

A empresa Tenda (TEND3) lidera com folga: alta de 234% desde o início do ano. Em seguida, Plano e Plano (PLPL3) aparece, com valorização de quase 200%.

“Assim, as construtoras e incorporadoras Tenda (TEND3) e Plano e Plano (PLPL3) se beneficiaram da queda dos juros e das mudanças no Minha Casa Minha Vida”, explica Victor Bueno, sócio e analista de Ações da Nord Research.

O especialista aponta algumas mudanças fundamentais no programa, como aumento de subsídio, expansão do teto e redução dos juros para financiamento, “que vão reaquecendo a demanda, especialmente de baixa renda, favorecendo construtoras e incorporadoras que atuam nessa faixa”, complementa.

Índice do setor imobiliário dispara

Nesse sentido, Tenda (TEND3) e Plano e Plano (PLPL3) foram as principais responsáveis por jogar o Imob, índice que contempla construtoras, incorporadoras e demais empresas do setor imobiliário, para o alto.

Desde o primeiro pregão do ano, o Imob subiu 48,34%, a maior alta entre todos os índices acionários. Em paralelo, o Ibovespa subiu 8,49% e o IFNC, do setor financeiro – segundo melhor índice setorial – avançou 17,05%.

Ou seja, as construtoras e demais empresas do setor avançam bem acima dos demais índices. “Todo arrefecimento na curva de juros, de médio e longo prazo, e as perspectivas para a Selic neste ano, favoreceram o setor como um todo, dado que ele tem essa característica cíclica e inversamente correlacionada à questão dos juros”, explica Caio Nabuco, analista da Empiricus.

Além disso, parte desta movimentação pode ter vindo com a vitória do atual presidente Lula nas urnas. Resumidamente, em governos anteriores de Lula, houve incentivos para compras de casas populares, o que animou os investidores. A percepção é de Marco Monteiro, analista da CM Capital. “A confirmação dessa teoria, com alterações no Minha Casa Minha Vida, pode aumentar ainda mais a demanda por imóveis”, diz.

Setor imobiliário também tem algumas das piores

Por outro lado, há também empresas do setor imobiliário que estão entre os piores desempenho na bolsa em 2023. São os casos da Gafisa (GFSA3) e da BR Properties (BRPR3). “Gafisa vem de uma longa desvalorização. Desde 2008, o ativo vem perdendo valor de mercado e toda tentativa que a companhia faz em se valorizar é logo frustrada”, ressalta Monteiro.

Com relação à BR Properties, Bueno, da Nord, destaca que a empresa passou por muitas turbulências ao longo do ano, que se somaram a balanços ruins. “A companhia fez redução de capital e grupamento gigantesco de ações. Essas questões acentuaram o pessimismo para os acionistas, que já viam a empresa entregando resultados fracos”.

Americanas (AMER3) tem a maior queda do ano

Entre as piores quedas da bolsa, destaque para a Americanas (AMER3), que perdeu quase 89% do valor dos ativos desde o primeiro pregão de 2023. O calvário da empresa começou com a declaração do ex-CEO, Sergio Rial, ao acusar “inconsistência contábeis” na casa dos R$ 20 bilhões. Rial renunciou ao cargo logo em seguida.

Desde então, a empresa passou por discretos momentos de valorização durante as tratativas para acordo com os credores, especialmente, os bancos. Ainda assim, a Americanas manteve a posição de principal perdedora da bolsa no ano, e voltou ao noticiário com a abertura de uma CPI no Congresso sobre o tema.

O desenrolar do caso aponta para poucas possibilidades de recuperação da empresa, avaliam os analistas. “A gente não enxerga nenhuma perspectiva positiva”, diz Bueno. “A dívida vai acarretar despesas financeiras gigantescas que vão pesar no lucro da companhia, inclusive, tiveram que revisar resultados e isso traz perspectivas muito negativas para os próximos anos”, completa.

Além disso, há o peso das inconsistências contábeis sobre a confiança do mercado. “A empresa precisaria se mostrar capaz de se reerguer e também de reconquistar a confiança dos investidores”, destaca Monteiro, da CM.

Melhores ações de 2023 até aqui

PosiçãoEmpresaTickerOscilação em 2023
TendaTEND3+234,12%
Plano e PlanoPLPL3+199,74%
C&A CEAB3+151,97%
Banco PinePINE4+134,15%
YduqsYDUQ3+115,14%
MitreMTRE3+111,73%
MarcopoloPOMO4+109,93%
OncoclínicasONCO3+101,16%
Trisul TRIS3+100,00%
10ºCyrelaCYRE3+96,67%

Confira as piores quedas do ano

PosiçãoEmpresaTickerOscilação em 2023
Americanas AMER3-88,70%
BR PropertiesBRPR3-67,19%
SequoiaSEQL3-62,46%
InfracommerceIFCM3-53,37%
Companhia Brasileira de AlumínioCBAV3-53,01%
PDGPDGR3-52,42%
GafisaGFSA3-43,54%
OiOIBR3-41,18%
CVCCVCB3-39,42%
10ºAlpargatasALPA4-38,26%

* Os números foram atualizados entre 14h e 14h30 da quarta-feira (9). A lista contempla ações de toda a bolsa, dentro ou fora de índices como o Ibovespa, que movimentam diariamente mais de R$ 1 milhão, em média