FGTS pode ser considerado reserva de emergência?

Especialistas explicam se é recomendado confiar no dinheiro do FGTS em caso de emergência

Quem começa a pesquisar sobre investimentos já se depara com um tema muito importante: a reserva de emergência. Montar esse colchão é o primeiro passo para construir uma carteira de investimentos robusta e segura.

Diante disso, especialistas recomendam que o investidor guarde um montante equivalente a seis meses do seu custo de vida ou da família.

Muito conhecido pelos brasileiros e presente desde 1967, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) tem um papel importante para garantir que um trabalhador demitido sem justa causa tenha uma poupança em caso de imprevistos.

Mas a dúvida é: quem tem ou teve emprego com carteira assinada pode desconsiderar a necessidade de montar um colchão de emergência?

FGTS substitui a reserva de emergência?

De maneira direta, a resposta é: não. “Não dá para considerar o FGTS como uma reserva de emergência. Isso porque o Fundo de Garantia não tem liquidez. Você não consegue sacar quando quiser e existem regras específicas para o saque”, explica Paula Sauer, professora de Economia e Finanças da ESPM (Escola Superior de Propagando e Marketing).

As regras para o saque do FGTS são restritas. O trabalhador só pode mexer no saldo quando é demitido sem justa causa, se aposenta ou em outras 12 situações mais específicas.

Portanto, a falta de liquidez do FGTS fere um dos princípios de uma boa reserva de emergência: ter alta liquidez, justamente para retirar com facilidade o dinheiro em caso de necessidade.

Já quem optou pela modalidade do saque-aniversário precisa, ainda mais, se preocupar com a reserva de emergência, já que a adesão não permite tirar o saldo das contas em caso de rescisão. Há ainda a modalidade de saque extraordinário. Mas tirar o dinheiro de maneira esporádica não interfere no direito de saque em caso de demissão.

Se não é reserva de emergência, o que devo fazer com o FGTS?

Já que não dá para considerar o FGTS uma reserva de emergência, é melhor deixar o dinheiro parado lá, mesmo quando se tem a oportunidade de sacar? Neste caso, a resposta é: depende.

Myrian Lund, planejadora financeira e professora de Finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas), defende que, em alguns casos, é melhor deixar o dinheiro no Fundo de Garantia. “Se você não tem um objetivo definido para usar o dinheiro e pode acabar gastando se deixar na sua conta, recomendo deixar lá (na conta da Caixa), longe dos olhos”, afirma.

Para esse perfil, Myrian dá mais um conselho: “seja conservador, o FGTS é uma reserva estratégica para a sua vida. Não aceite fazer aplicações inovadoras que você não conheça e se não sabe o que é risco de mercado”.

Portanto, a resposta muda dependendo do perfil do investidor. Para quem é mais controlado, o ideal é que retire o dinheiro da conta na primeira oportunidade e coloque em um instrumento que tenha rendimento acima da poupança, mas com o mesmo nível de segurança.

Títulos do Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs são alguns dos exemplos de bons candidatos a receber essa aplicação. Myrian chama esses instrumentos de “primos da poupança”, já que têm o mesmo nível de segurança da caderneta.