Dia da Cerveja: vale a pena investir no setor ou a bebida só serve para brindar?

Nunca se bebeu tanto no Brasil, mas as ações decepcionam

Cerveja: mercado consolidado e ações em queda. Foto: REUTERS/Staff

Pontos-chave

  • Brasil ganhou 5,1 milhões de novos consumidores entre março de 2021 e março deste ano
  • As maiores empresas do setor fazem previsões conservadoras de crescimento

5 de agosto: nesta sexta-feira, o mundo brinda o Dia Internacional da Cerveja. E ainda é sexta-feira. Para além de tudo isso, o mercado de cerveja nunca teve tantos consumidores no país, segundo o relatório da consultoria Consumer Insights da Kantar.

São 5,1 milhões de brasileiros a mais em 12 meses, entre março de 2021 e março deste ano. Mas, mesmo com o avanço da vacinação e o fim de restrições, a frequência do consumo fora do lar ainda não atingiu o nível pré-pandemia.

Hudson Romano, Gerente Sênior de consumo fora do lar da Kantar, afirma que existe uma retomada exponencial do consumo de cerveja entre os brasileiros.

Brasileiro sai menos para beber cerveja

Antes da pandemia, em média, o brasileiro consumia cerveja fora de casa 3,7 vezes por trimestre, agora, esse número está em 3,2, chegando quase na mesma frequência mesmo com o aumento da inflação.

“É o sexto trimestre consecutivo em alta de frequência de consumo, é uma tendência que cada vez mais brasileiros estejam consumindo o produto e a expectativa é que o mercado volte a crescer nos níveis pré-pandemia”, explica Romano.

Consumo de cerveja aumentou quase 24%

Fora de casa, o primeiro semestre de 2022 teve um crescimento de 23,8% em unidades vendidas quando comparado ao primeiro semestre de 2021. Já dentro de casa, o movimento é semelhante. Houve uma alta de consumo no começo da pandemia, mas a retomada de bares, mercados, restaurantes e vendedores ambulantes, favorece o consumo fora do lar.

O valor gasto com a bebida fora de casa cresceu 8,6% e diminuiu 6,5% dentro do lar em comparação ao ano anterior, indicando que o hábito de beber cerveja dentro do lar vem migrando para fora, porém ainda não nos níveis do pré-pandemia.

Ainda não é hora de brindar

Além da ginástica que o cidadão brasileiro tem feito no bolso para driblar a alta dos preços, muitos ainda não se sentem seguros para confraternizar. O estudo LinkQ Covid-19 da Kantar, feito em março deste ano, mostrou que 61% dos brasileiros declaram sair apenas para atividades essenciais.

Também nos 12 meses terminados em março de 2022, o ganho de ocasiões para o consumo de cerveja fora de casa foi de expressivos 16% e a queda dentro do lar foi 7,9%, totalizando um aumento geral de ocasiões em 2,1% ante o período anterior, o que comprova que as pessoas estão saindo mais de casa, mas ainda não com a mesma frequência de antes da pandemia.

No mesmo intervalo, houve um incremento de 1,6% de compra de unidades de cerveja para consumo fora de casa e uma retração de 7,1% dentro do lar, o que representa uma queda de 4% no consumo total de unidades de cerveja dentro e fora de casa. Há mais gente consumindo, porém em menor quantidade, principalmente pelo fator preço.

Marcas convencionais continuam sendo as grandes impulsionadoras do crescimento do consumo de cerveja no País, mas o segmento premium continua tendo seu público, que, para fazer caber no bolso, diminui a frequência do consumo, mas segue fiel ao produto.

Vale a pena investir no setor de cerveja?

Rodrigo Lima, analista de investimentos e editor de conteúdo da Stake, plataforma que conecta pessoas de diferentes países a oportunidades de investimentos, afirma que 2022 não tem sido muito bom para as grandes companhias do setor.

As ações da Ab Inbev (BUD), maior companhia cervejeira do mundo, caem 11,54% no ano, enquanto os papéis da sua principal concorrente, a Heineken (HEINY), caem 13,58%.

A grande exceção é do grupo Molson Coors (TAP), dono da tradicional cerveja americana Miller, cujas ações sobem 18,61%. No entanto, a companhia chegou a ser a maior queda do S&P 500 no dia 2 de agosto, após divulgar seu balanço do segundo trimestre, com receita abaixo do esperado, graças a uma greve de trabalhadores no Quebec que acabou impactando as vendas no Canadá.

“É difícil prever um aumento do consumo de cerveja, e é importante frisar que mesmo os maiores players deste setor fazem previsões bastante conservadoras para seu crescimento. Este mercado é extremamente consolidados”, explica Lima.

No entanto, o analista ressalta que as maiores companhias do setor cervejeiro seguem apostando no aumento de consumo de cervejas sem álcool, atendendo a um público com estilo de vida mais saudável, e também na expansão de outros produtos que seguem em expansão no mundo inteiro.

Com conteúdo do site Valor Investe, um veículo Globo Notícias

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