OMS alerta Brasil para que se prepare para nova onda de Covid-19

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, criticou as desinformações que levam muita gente a não querer se vacinar

Nova vacina pode neutralizar ômicron (Foto: CDC/Unsplash)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira (29) que o Brasil, que é o país com o segundo maior número de mortes por covid-19 no mundo, precisa estar preparado para um aumento de novos casos, como vem ocorrendo atualmente na Europa, ao mesmo tempo que pediu o fim de desinformações que afetam o combate à pandemia.

Na última entrevista coletiva do ano, focada nos dois anos da pandemia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou-se “muito preocupado que o fato de a variante ômicron ser mais transmissível e estar circulando ao mesmo tempo que a delta, o que está levando a um tsunami de casos”. Insistiu que o vírus continuará a evoluir e ameaçar os sistemas de saúde se os países não melhorarem a resposta coletiva.

“Delta e ômicron são ameaças gêmeas que estão elevando os casos a números recordes, o que, mais uma vez, está levando a picos nas hospitalizações e mortes”, afirmou. Sem mencionar nomes, o diretor-geral da OMS reclamou que “a desinformação, muitas vezes disseminadas por um pequeno número de pessoas, têm sido uma distração constante, minando os sinais e a confiança em ferramentas de saúde que salvam vidas”. Acrescentou que a desinformação tem impulsionado a hesitação vacinal está agora se traduzindo na morte desproporcional de pessoas não vacinadas.

“Este é o momento para os líderes banirem as políticas de populismo e interesse próprio, que estão fazendo descarrilar a resposta à Covid-19 e ameaçam minar a resposta à pandemia”, afirmou Tedros.

A primeira pergunta na entrevista coletiva foi justamente sobre a situação no Brasil,feita por uma jornalista da TV Globo. Para o diretor-geral da OMS, a situação no país parece “muito melhor no presente momento”, mas que a vacinação contínua, especialmente dos vulneráveis, não deve ser deixada para trás. E que é preciso continuar implementando medidas abrangentes de saúde pública e não apenas a vacinação. “Faça isso e creio que a situação continuará a ser melhor no Brasil.”

O diretor de operações da OMS, Mike Ryan, observou que o Brasil experimentou ondas muito grandes ou múltiplas ondas de infecção durante um períodoprolongado de tempo, e que tem havido uma tendência persistente de queda tanto nas infecções quanto nas mortes no país “e isso é mérito do povo brasileiro, dasmedidas que têm sido tomadas e da adoção de vacinas”.

Mas Ryan reiterou a importância de continuar a preparação a novas ondas da pandemia. Destacou que a probabilidade é de que haja ondas contínuas de transmissão em todo o mundo. E a América do Sul e o Brasil não são exceções aisso. E que este é o momento de preparar os sistemas de saúde, mesmo se novas variantes se mostrarem menos perigosas do que anteriores.

“O grande número de casos, como vimos anteriormente no Brasil, pode colocar uma enorme pressão sobre o sistema de saúde. Vimos a escassez de oxigênio, tudo isso pode se rgerenciado e ser preparado. Se a onda não vier, não há problema, é uma boa notícia. Mas o Brasil e outros países precisam estar preparados para um aumento nos casos”, acrescentou Ryan, deixando claro que a variante ômicron está também na região.

No seu boletim epidemiológico sobre a semana de 20 a 26 deste mês, a OMS nota que, no Brasil, mais 997 mortes foram registradas, numa alta de 42% em relação àsemana anterior. Globalmente, o número de infecções aumentou 11%. E aconstatação é de que o risco geral relacionado à nova variante ômicron permanece muito alto. O diretor-geral da OMS alertou que, como a pandemia se arrasta, é possível que novas variantes “escapem de contramedidas e se tornem totalmente resistentes às vacinas atuais ou a infecções passadas, o que exigirá adaptações das vacinas”.

Tedros disse que grupos consultivos técnicos para a evolução do vírus e a composição da vacina continuam a rever as evidências das variantes e analisar o desempenho das vacinas contra elas. “Qualquer nova atualização da vacina significaria potencialmente uma nova escassez de fornecimento. Portanto, é importante que nos concentremos na construção de capacidade de fabricação local para ajudar a acabar com esta pandemia e nos prepararmos para as futuras”, acrescentou.

O diretor-geral da OMS voltou a pedir para que os países compartilhem as vacinas contra a Covid-19 de forma mais equitativa. E insistiu que a ênfase em doses de reforço nos países mais ricos pode deixar as nações mais pobres com falta de imunizantes.

Em dois anos, a pandemia de Covid-19 infectou 280 milhões de pessoas e provocou 5,4 milhões de mortes. Os EUA tem o maior número acumulado de mortes, 810 mil; o Brasil o segundo, com 618 mil, e a Índia, o terceiro, com 480 mil.


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