Ibovespa tem recuperação apoiado por Petrobras e bancos

Índice reverteu a tendência negativa que predominava durante a manhã

B3, a Bolsa de Valores de São Paulo
B3, a Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg/Reprodução O Globo)

O Ibovespa apresenta recuperação pontual nesta segunda-feira, depois de perder os 100 mil pontos no final da semana anterior. Enquanto as incertezas vindas do exterior seguem orbitando as decisões de investimento no curto prazo, agentes também monitoram o imbróglio envolvendo a Petrobras e avaliam possíveis impactos mais disseminados nos negócios locais.

Perto de 15h20, o Ibovespa subia 0,36%, aos 100.183 pontos, tocando os 98.409 pontos na mínima e os 100.481 pontos na máxima. O volume financeiro negociado até aqui foi de R$ 12,3 bilhões, com projeção de alcançar um giro de R$ 17,9 bilhões ao final do dia.

Os mercados acionários globais exibem leve tendência positiva nos primeiros negócios da semana, em sessão com as bolsas de Nova York fechadas por conta de feriado. No entanto, conforme bancos centrais seguem apertando as condições monetárias sem que a inflação dê sinais de arrefecimento, investidores seguem cautelosos na realização de alocações em renda variável.

“Embora os preços agora passem a refletir melhor a realidade atual e eu tenda a acreditar que fortes revisões de preços, como observamos, sejam menos prováveis e mais dependentes de uma nova onda de deterioração nos dados, o cenário continua a se alterar com frequência acima da usual”, escreveu Lucas Queiroz, da equipe de pesquisa do Itaú BBA, em relatório.

Adicionalmente, na China, o minério de ferro continua perdendo força e impactando as empresas ligadas às commodities metálicas. O tombo é atribuído à lenta retomada da atividade na construção civil chinesa, ao aumento dos estoques de aço nas siderúrgicas e a receios de que a política de “covid zero” no país siga pressionado a economia local.

Vale ON segue pressionada e recuava 2,21% no pregão. Já os bancos, em movimento semelhante ao vistos nas bolsas europeias, apresentam sessão de ganhos firmes, em uma possível rotação dos papéis de commodities para outros ativos de “value”. Itaú PN ganhava 4,31%, Bradesco PN avançava 3,41%, Banco do Brasil subia 1,85% e Santander units tinha elevação de 3,20%.

Localmente, as atenções seguem na Petrobras. Após cair mais de 4% no início da sessão, as ações da empresa revertiam o rumo no início da tarde. Os papéis ON ganhavam 0,60% e os preferenciais subiam 1,03%.

A estatal informou que José Mauro Coelho pediu demissão do cargo de conselheiro de administração da empresa, em comunicado separado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após anunciar o pedido de renúncia do posto de presidente da estatal.

Coelho já vinha sendo pressionado a deixar o cargo, em especial após a decisão da Petrobras de reajustar a gasolina em 5,2% e o diesel em 14,2%, e com a ameaça de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a empresa feita pelo presidente Jair Bolsonaro no último fim de semana.

Para a XP, dois temores dos investidores em relação à Petrobras estão no radar: subsidiar combustíveis ou estouros de orçamento dos investimentos. O analista André Vidal diz que os riscos aumentaram, tanto internacionalmente com a recessão global quanto internamente devido à interferência política. “No entanto, negociando a 1,7 valor de firma sobre Ebitda em 2022, a Petrobras continua sendo uma aposta assimétrica”, afirma.

Um gestor ouvido pelo Valor, por sua vez, afirma que a empresa está barata nos moldes atuais, mas que a avaliação pode mudar a depender do que governo fizer para intervir nos preços dos combustíveis. Ele afirma, adicionalmente, que a movimentação desta manhã contaminou os primeiros negócios do dia e que o sentimento de aversão a riscos pode aumentar.

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