Fleury compra Pardini e se aproxima da Dasa no setor de diagnóstico; fusão não altera perspectiva de crescimento, diz Itaú BBA

As ações da Pardini fecharam com alta de 18,99%, negociadas a R$ 19,99, e as da Fleury subiram 16,10%, cotadas a R$ 16,30

Foto: Hush Naido Jade/Unsplash

Pontos-chave

  • Receita combinada do grupo com Hermes Pardini chega a R$ 6,4 bilhões. Transação de R$ 2,5 bi ainda passará pelo Cade

O Grupo Fleury anunciou a incorporação do Grupo Pardin, nesta quinta-feira, formando uma das maiores empresas do setor de saúde, com uma receita brutal anual combinada de R$ 6,4 bilhões. De 2017 a 2021, o Fleury contabiliza nada menos de 13 aquisições, a maioria delas no setor de diagnósticos, segmento no qual, com a fusão, se aproxima da líder Dasa que teve uma receita de R$ 7 bilhões no ano passado com diagnósticos.

A transação — que deverá passar pela avaliação do Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) — prevê toca de ações e pagamento de dinheiro, totalizando o valor do negócio em R$ 2,5 bilhões.

Aprovada a incorporação, a composição acionária de Fleury será de 20,2%, Bradesco Diagnóstico (13%), sócios-Médicos de Fleury (7,3%), Victor Pardini (7,3%), Regina Pardini e outros (7,3%), Áurea Pardin (7,3%),, somados aos 44,9% das ações negociadas no mercado (free float).

O anúncio do negócio entre os dois grandes grupos de diagnósticos repercutiu positivamente na Bolsa de São Paulo. As ações do Pardini fecharam com alta de 18,99%, negociadas a R$ 19,99, e as da Fleury subiram 16,10%, cotadas a R$ 16,30.

Para Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research, o mercado gostou bastante da notícia. “Além da sinergia grande, as duas já tinham atuação em análises clínicas, e o Fleury tem presença em marcas premium. Fazer fusão não é algo tão fácil, mas, depois de ajustes de estrutura, vamos ver uma excelente empresa sendo gerida daqui para frente.”

Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, acredita que a consolidação faz ambas as marcas ficarem ainda mais fortes e que pode gerar valorização de 50% até o fim do ano, classificando a operação como um “ganha-ganha”.

“É um mercado que ainda tem muito a se expandir, principalmente no que eles chamam de faixa intermediária, que é a operação voltada à classe média. Acho que eles vão ganhar mais fôlego para acelerar a compra de laboratórios menores a partir de agora”, avalia.

Conde acrescenta que a valorização só não foi ainda mais expressiva nesta quinta porque, nesta semana, a ANS suspendeu comercialização de 70 planos de saúde.

“Essas empresas podem não pagar hospitais e laboratórios por estarem com situação de caixa difícil. O momento no setor de saúde é difícil. Mas, tão logo isso passe, com o aumento do emprego, mais gente vai poder contratar plano particular ou receber da empresa onde trabalha”, explica.

Ganhos de sinergia, diz presidente do Grupo Fleury

Segundo Jeane Tsutsui, presidente do Grupo Fleury, em 30 dias devem ser convocadas as assembleias de acionistas dos dois grupos para aprovação do negócio. A avaliação preliminar é que juntas as empresas terão ganhos de sinergia entre R$ 160 milhões e R$190 milhões. Não se vislumbra problemas na avaliação pelo Cade já que há poucos sobreposições entre os dois negócios e apenas em Rio e São Paulo.

Com o Pardini, o Fleury entra nos mercados de Minas e do Centro Oeste, com operações em Goiás e também no Pará. A executiva destaca, no entanto, que a incorporação do Pardini dá musculatura e potencial de desenvolvimento para o grupo em diversas frentes, inclusive para a aquisição de novos elos para o negócio.

Juntas as duas empresas somam 487 unidades de atendimento, com o processamento de 248 milhões de exames por ano, presença nacional com atendimento a clientes e operações de apoio a outros laboratórios (Lab-to-Lab), que deve ser o foco do Pardini.

Essas unidades podem ser o ponto de partida para ampliação e diversificação de serviços do grupo, que já tem negócios no setor de ortopedia, oftamologia e oncologia. Além disso, a presidente do Fleury, ressalta que a aquisição fortalece o setor de pesquisa e inovações, com a potencialização em áreas de pesquisa como a genômica.

Segundo Jeane, o momento é de estruturar para oferecer um sistema que permita uma medicina mais preventiva oferecendo maior sustentabilidade para o sistema.

Ao todo o grupo passa a contabilizar 39 marcas, presentes nos mercados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, além do Distrito Federal.

Fusão não altera perspectiva de crescimento, diz Itaú BBA

Segundo os analistas do Itaú BBA, as sinergias anunciadas representam redução de 4% nas despesas gerais e administrativas futuras. Porém, os analistas do Itaú BBA não veem mudança significativa no crescimento da receita.

“Embora a transação seja suscetível de melhorar as margens da empresa combinada, isso não altera nossa visão de longo prazo de que as empresas continuem apresentando receitas e perspectivas de crescimento mais baixas”, afirmam em relatório os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Marquezini e Felipe Amancio.

Segundo os analistas, o preço para ação FLRY3 nesta quinta-feira já contabiliza o valor agregado da transação, enquanto há perspectiva de ganhos para ação PARD3, do Pardini.

Os analistas do Itaú BBA veem pouca sobreposição geográfica entre as empresas. “A principal sobreposição entre as operações é em São Paulo, onde o Hermes Pardini planejava atingir aproximadamente 14 unidades até o final do ano.”

Por isso, os analistas não enxergam risco de impeditivo vindo do Cade, “uma vez que a sobreposição geográfica é muito pequena e as praças são complementares.”