‘O Twitter é a praça pública digital onde são debatidos os assuntos vitais para o futuro da humanidade’, diz Musk ao anunciar acordo

Musk disse que quer fazer do Twitter um bastião da liberdade de expressão e sugeriu uma ampla revisão estratégica da plataforma

Foto: Mike Blake/Reuters

“A liberdade de expressão é a base de uma democracia em funcionamento, e o Twitter é a praça pública digital onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade”, disse nesta segunda-feira Elon Musk, em comunicado anunciando o acordo de US$ 44 bilhões. Ele disse que queria “tornar o Twitter melhor do que nunca”.

O acordo encerra o que parecia uma tentativa improvável de aquisição e imediatamente levanta questões sobre o porquê da compra, o que Musk fará com a rede e como suas ações afetarão o debate online na plataforma.

O bilionário, de 50 anos, que tem mais de 83 milhões de seguidores no Twitter disse repetidamente que quer “transformar” a plataforma promovendo mais liberdade de expressão e dando aos usuários mais controle sobre o que veem nela. Ao tornar a empresa privada, Musk poderia trabalhar no serviço longe dos olhos curiosos de investidores e reguladores.

No entanto, o escrutínio provavelmente será intenso. O Twitter não é a maior plataforma social – tem mais de 217 milhões de usuários diários, em comparação com os bilhões do Facebook, Whatsapp e Instagram – mas tem um papel descomunal na formação de narrativas em todo o mundo. Líderes políticos usam a plataforma como um megafone, enquanto empresas, celebridades e outros o utilizam para a criação de imagens e construção de marcas.

Nos últimos anos, o Twitter também se tornou um para-raios de controvérsia, já que alguns usuários espalham desinformação e outros conteúdos tóxicos na rede. O ex-presidente Donald Trump frequentemente recorreu ao Twitter para insultar e inflamar multidões, antes de ser banido da plataforma após o tumulto no Capitólio, em janeiro de 2021. O presidente Jair Bolsonaro usou e abusou da rede social em sua campanha de 2018, que o levou ao Palácio do Planalto. A empresa foi repetidamente forçada a criar políticas em tempo real para lidar com situações inesperadas.

O próprio Musk teve uma relação difícil com o discurso online na plataforma. Este ano, ele tentou anular uma conta no Twitter que rastreava os movimentos de seu jato particular, citando motivos pessoais e de segurança. Mais cedo, nesta segunda-feira, ele tuitou que esperava que seus piores críticos permanecessem no Twitter porque “é isso que significa liberdade de expressão”.

Além dos desafios de governança e transparência, o Twitter enfrenta questionamentos sobre o seu modelo de negócio. Durante anos, a empresa lutou para conquistar novos seguidores e manter as pessoas voltando ao serviço. Seu negócio de publicidade, que é a principal forma de receita do Twitter, tem se mostrado inconsistente. A empresa não deu lucro em oito dos últimos 10 anos.

Como Musk planeja atuar no Twitter não está claro. Entre as questões sem resposta estão quem ele poderia escolher para liderar a empresa e quão envolvido ele estaria no dia a dia da companhia. Além de administrar a Tesla e a SpaceX, Musk também tem outras empresas, como a Neuralink, que visa construir uma interface de computador para o cérebro humano, e a Boring Company, que faz túneis.

Musk disse que quer fazer do Twitter um bastião da liberdade de expressão e sugeriu uma ampla revisão estratégica da plataforma. Entre as mudanças, seria permitido aos usuários editar seus tweets, tornar o algoritmo de código aberto e reprimir bots anônimos usados para divulgar golpes e espalhar desinformação. A ver o que virá pela frente.


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