O que toda mãe (ou futura mãe) precisa saber sobre finanças e investimentos

O planejamento financeiro fica mais complexo quando se é mãe. O que fazer?

O planejamento financeiro fica mais complexo quando se tem filhos. Uma pesquisa feita pela fintech de educação financeira Plano mostra que, em cidades com mais de 3 milhões de habitantes, uma família com renda mensal entre R$ 7,1 mil e R$ 22 mil gaste de R$ 717 mil a R$ 887 mil para criar um filho até os 18 anos.

Fazer frente a estas despesas exige organização, mesmo para futuras mães que já sejam investidoras. E quanto às mulheres que já têm filhos, mas ainda não começaram a investir para a aposentadoria, é bom ficar alerta: pensar em si mesma não é egoísmo. Pelo contrário, é uma proteção que pode ser uma forma de não onerar e até continuar a ajudar filhos e netos no período de inatividade do mercado de trabalho.

Veja abaixo as dicas da planejadora financeira certificada pela Planejar, Ana Paula Netto, tanto para investidoras que serão ou se tornaram mães recentemente como mães que desejam começar a investir e dar o exemplo para os filhos de que é possível, sim, ter uma vida financeira mais equilibrada:

Reserva de emergência deve ser reforçada

Está planejando ter um filho? O ideal é que o casal comece a criar uma reserva financeira ao menos dois anos antes da chegada do bebê.

Já tem uma reserva de emergência equivalente a seis meses de despesas? Pois a indicação é que ela seja reforçada quando há um dependente financeiro, indica Netto. “Recomendo aos meus clientes que ela seja igual a 12 meses de despesas familiares”.

Considere gastos com despesas médicas

Futuras mães que não tenham acesso a plano de saúde e desejam ter a proteção precisam pensar em contratá-lo com antecedência. Isso porque normalmente a carência para partos e despesas recorrentes é geralmente de 300 dias.

“Ter proteção compensa muito, pois diversos exames e consultas precisam ser feitas ao longo dos meses de gravidez”, diz Netto.

Não é diferente no primeiro ano de vida do bebê. “Diversas idas ao pediatra precisam ser feitas para acompanhar o seu desenvolvimento. “Terceirizar esses gastos à seguradora permite economizar, e muito”, conclui a planejadora.

Prepare-se para despesas extras

Com a chegada de um filho pequenos gastos com decoração do quarto, berço, banheira, roupas, itens de higiene, fraldas e mamadeiras, juntos, podem pesar bastante no orçamento.

Por isso, o ideal é ter espaço no orçamento para fazer frente a essas despesas, especialmente no primeiro ano da criança.

Orçamento precisa estar em dia

Antes da chegada do bebê o orçamento tem de estar em dia. Uma mãe precisa saber o quanto ganha, quanto gasta e como gasta.

Criar um filho vai muito além de questões financeiras, mas é fato que não ter uma boa saúde financeira afeta a saúde mental e até física, diz Netto. “Para que possa ser a melhor mãe possível, uma mulher precisa estar bem. Se sua vida financeira está bagunçada, na maioria dos casos não vai conseguir”.

Reveja gastos e mude prioridades

Antes dos filhos os pais costumam gastar de uma determinada forma. Após a chegada da criança, é necessário rever prioridades.

“O casal não pode manter os mesmos gastos sendo que a sua prioridade mudou. É necessário, portanto, rever a forma de gastar. A única forma de manter os gastos é aumentar a renda”.

Reserva para educação é um bom investimento

Ninguém dúvida que o gasto mais relevante com os filhos são os relacionados à educação. Seja uma escola particular, um curso de línguas, aulas de reforço e até a prática de um esporte.

Caso os pais desejem arcar com as mensalidades de uma faculdade particular até que o filho comece a dar seus primeiros passos no mercado de trabalho deve se preparar para desembolsar valores consideráveis. Mas a boa notícia é que, se começar a investir para esse objetivo a partir do nascimento do filho, esse valor pode cair 40%, graças ao efeito dos juros compostos ao longo de 17 anos.

Cuidar do próprio futuro é ato de amor

É natural que mães, especialmente nos primeiros anos de vida do filho, abdique de sonhos pensando no melhor desenvolvimento da criança. Mas é necessário refletir que um dia o filho irá crescer, e é esperado que se sustente sozinho e construa seu próprio patrimônio.

Portanto, é importante que a mãe não descuide de seus objetivos financeiros e de sua aposentadoria principalmente como forma de não onerar o filho no futuro. “É importante pensar em uma previdência complementar ao benefício do INSS. Se quiser trabalhar na aposentadoria que seja uma opção, e não uma obrigação”.

Ensine educação financeira ao seu filho

Quer que seu filho tenha independência financeira cedo e não cometa erros que possam pressionar o orçamento da família? Dê o exemplo e explique conceitos. “É importante dar um porquinho de moedas e mesada nos primeiros anos de vida para que entendam o valor do dinheiro”.

No caso de jovens que estão começando a trabalhar, é importante alertar sobre os cuidados para não cair no cheque especial e sobre produtos financeiros mais adequados para cada objetivo”, indica Netto.

Tenha um seguro de vida

Netto aponta que contratar um seguro de vida, especialmente durante os primeiros anos de vida do filho, é um ato de amor, especialmente se a mãe for a principal, ou única, provedora do filho. “O ideal é calcular os gastos que se terá com moradia educação, alimentação e saúde até que a criança atinja a maioridade e buscar uma apólice que cubra esse valor. Conforme a criança for crescendo, é possível rever esses valores, e ir diminuindo o peso da proteção no orçamento”.

O mercado oferece seguros de vida que podem ser resgatados em vida. Mas, naturalmente, a apólice será mais cara. “Eles têm uma série de exigências para resgate do valor e em muitos casos não será possível resgatar 100% das contribuições. Mas são uma opção para pais que desejam obter o investimento caso o sinistro não ocorra”.