CEO do BTG (BPAC11): blockchain tem grandes chances de ser trilho financeiro do futuro

Para Roberto Sallouti, mercado precisa começar a considerar a possibilidade de que todos os IPOs do futuro serão feitas em tokens

O CEO do BTG Pactual (BPAC11), Roberto Sallouti, disse que a tecnologia blockchain tem grandes chances de ser o trilho do sistema financeiro no futuro. De acordo com o executivo, o mercado precisa começar a considerar a possibilidade de que todas as ofertas públicas iniciais (IPOs) do futuro serão feitas em tokens.

“Não sei o quanto o bitcoin vale, mas tenho convicção de que há uma grande chance de que o trilho financeiro do futuro seja blockchain”, afirmou, deixando claro que o principal caso de uso para a tecnologia cripto que está observando é a tokenização de ativos reais, que remove intermediários, barateando e tornando mais fácil a emissão de produtos financeiros.

Além disso, a tokenização também traz a novidade do dinheiro programável, que torna possíveis as chamadas liquidações atômicas, em que um ativo é programado para só ser entregue ao comprador quando o dinheiro cair na conta do vendedor, algo que ocorre instantaneamente no mundo cripto.

“Nós ficávamos tristes de não ter 5 mil agências, aí vimos a tokenização e o Drex e percebemos a possibilidade de fechar o gap”, declarou Sallouti. “É tão simples fazer uma transação em stablecoin que chega a ser constrangedor para o nosso sistema atual.”

O BTG firmou uma parceria com a Circle, emissora da stablecoin USDC, para distribuir o “dólar digital” a empresas brasileiras que queiram se expor à moeda americana por meio da infraestrutura blockchain. Sallouti destacou a integração possível com a parceria, permitindo que o USDC seja colocado nos diversos canais de distribuição que o banco brasileiro possui.

“Ao escolher um parceiro não poderíamos escolher o errado. A Circle é extremamente focada em fazer a coisa certa, a moeda estável de vocês é realmente estável”, defendeu.

Jeremy Allaire, CEO da Circle, diz que as parcerias com empresas como o BTG e o Nubank marcam o início da entrada da empresa no mercado brasileiro, mas são só o começo, pois as stablecoins estão apenas engatinhando em todos os casos de uso que podem ter na economia do futuro. “Aqui no Brasil há tantos players que assumem que esta é a tecnologia do futuro. É uma mente mais aberta. Em outros lugares há mais medo”, comenta.

Allaire admite que os EUA são um desses lugares onde cripto é visto com maior desconfiança, mas avalia que esta mentalidade está mudando, como mostraram as votações favoráveis a cripto em projetos de Lei como o FIT 21 na Câmara de Representantes na semana passada. “Os EUA, por serem o maior sistema do mundo, são o que tem mais a perder. Esse campo de blockchain, por um bom tempo, foi visto como especulativo e com ceticismo”.

O CEO da Circle argumenta ainda que não importa quem vença as eleições presidenciais americanas deste ano, haverá mais trabalho construtivo e bipartidário para construir na maior economia do mundo. “A direção geral é que teremos uma regulação robusta.”

Com informações do Valor Econômico