S&P coloca água no chopp da JBS e revisa perspectiva de rating de estável para negativa

Agência estaria preocupada com o aumento do endividamento da JBS, que vem crescendo nos últimos 12 meses

A S&P Global Ratings colocou água no chopp da JBS (JBSS3) no fim da tarde desta quinta-feira (13). A agência de classificação de risco revisou de estável para negativa a avaliação da maior processadora de proteína animal do mundo.

As ações ordinárias da companhia da família Batista vivem um rali na Bolsa. Na quarta-feira (12), a empresa anunciou seu interesse na dupla listagem, na B3 e em Nova York. No Brasil, a listagem se dará por meio de recibos de depósitos (BDRs) lastreados nas ações a serem lançadas na Nyse. Os papeis da empresa subiram 11,55% nos últimos dois pregões.

E, em meio a essa festa, a agência de classificação de risco reafirmou o rating ‘BBB-‘ da empresa, dizendo, no entanto, que há uma probabilidade de 33% da nota ser rebaixada nos próximos 12 ou 24 meses.

Joesley Batista durante depoimento na CPMI / CPI da JBS em Brasília
Joesley Batista, da JBS. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo a S&P, a JBS “foi atingida por obstáculos”, que vão desdes os cenários macroeconômicos em seus principais mercados, até problemas originados pela própria companhia. Esses fatores fazem com que “os riscos operacionais” do frigorífico permaneçam “altos e sujeitos às condições de mercado, podendo desviar a trajetória de desalavancagem”, aponta a agência, em nota.

Entre os fatores macro, a agência diz que a JBS enfrenta desafios tanto nos Estados Unidos, que prossegue com sua política contracionista para o equilíbrio da inflação, quanto no Brasil, “com demanda reduzida”. A isso, o relatório acrescenta “altos custos de insumos e preços de exportação mais fracos que provavelmente pressionarão ainda mais as métricas de crédito em 2023 e 2024”.

Dividendos e dupla listagem

Além disso, a agência aponta para o fato da JBS ter anunciado, em junho, um pagamento extraordinário de dividendos, de R$ 2,218 bilhões, que está sujeito à aprovação bem-sucedida de sua listagem de ações nos Estados Unidos, numa estrutura de dupla listagem.

“O pagamento enfraquecerá apenas moderadamente as métricas. No entanto, pode indicar uma política financeira mais agressiva”, afirma a empresa, em relatório.

A agência estaria preocupada com o aumento do endividamento da JBS, que vem crescendo nos últimos 12 meses. A dívida líquida da empresa, em reais, subiu 26% no primeiro trimestre do ano, em relação à igual período em 2022, chegando a R$ 83,7 bilhões. Em dólares, a alavancagem no primeiro trimestre do ano foi de US$ 16,4 bilhões, alta de 17,5%.

“A perspectiva negativa reflete que há uma chance em três de rebaixamento nos próximos 12 a 24 meses, se as principais métricas de crédito não retornarem aos níveis esperados para o rating, com dívida total sobre EBITDA abaixo de 4x nos próximos dois anos”, destaca o relatório.