Copom deve pausar cortes da Selic agora e retomar ciclo em novembro, indica Santander

Banco avalia que a queda dos juros nos Estados Unidos deve reabrir a janela para a flexibilização monetária no Brasil

Diante de uma preocupação maior do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central com a dinâmica das expectativas de inflação, que pioraram de forma expressiva desde a reunião do colegiado em maio, o Santander alterou seu cenário e, agora, não vê um novo corte na Selic na próxima semana.

Assim, os economistas do banco projetam uma pausa no ciclo de flexibilização monetária, ao observarem, ainda, que “todas as principais variáveis que servem de insumo às projeções de inflação do Copom pioraram desde a última reunião”.

Além da piora nas expectativas de inflação do horizonte relevante, que subiram de 3,65% para algo em torno de 3,8% no ano de 2025, a equipe de economistas liderada pela ex-secretária do Tesouro Ana Paula Vescovi também aponta que as outras variáveis usadas pelo Copom para elaborar suas projeções pioraram.

“A inflação corrente, as expectativas fiscais, os preços das commodities pioraram marginalmente quando se trata de servir de insumo para as projeções de inflação. Nesse assunto, a principal variação veio da taxa de câmbio, que desvalorizou de R$ 5,10 por dólar para R$ 5,35 pot dólar”, aponta o banco.

Nesse sentido, o Santander espera que as projeções do Copom subam de 3,8% para 4,0% neste ano e de 3,3% para 3,4% em 2025.

Então, os economistas do banco esperam uma pausa no ciclo de ajustes da Selic, mas acreditam na retomada do processo de flexibilização em novembro e, assim, projetam o juro básico em 10% no fim deste ano.

Como justificativa para a retomada do ciclo, o banco acredita que o ciclo de flexibilização monetária do Federal Reserve (Fed) terá início no quarto trimestre; projeta que a dinâmica da inflação continuará benigna até o fim do ano; e acredita que as expectativas inflacionárias não terão deterioração adicional.

Além disso, para o Santander, a atividade retornará a uma tendência de desaceleração no segundo trimestre devido ao menor impulso fiscal.

Com informações do Valor Econômico

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