Ações da Petrobras (PETR3; PETR4) fecham com alta de mais de 3% após divulgação de resultados do 1T23

Especialistas apontam bons resultados no 1º tri e destacam manutenção da política de dividendos

Os resultados da Petrobras (PETR3; PETR4) no primeiro trimestre trouxeram notícias positivas tanto no balanço quanto nas demonstrações de fluxo de caixa, e o principal destaque foi novamente o substancial anúncio de dividendos, diz o Credit Suisse, em relatório.

Na noite da quinta-feira, a Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 38,16 bilhões no primeiro trimestre de 2023, valor 14,4% menor que o resultado do mesmo período de 2022, quando foi aferido lucro de R$ 44,56 bilhões, o maior da história para um primeiro trimestre.

Com isso, os papéis da empresa ficaram entre as maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira (12). As ações preferenciais (PETR4) fecharam em alta de 3,22%, para R$ 26,25, com volume negociado de R$ 6,32 bilhões.

As ordinárias (PETR3) subiram 3,51%, a R$ 29,14, com volume de R$ 1,12 bilhões.

Nos últimos 12 meses, a Petrobras registra alta de 35% e 31,5% na bolsa para as ações preferenciais e ordinárias, respectivamente.

Dividendos acima da projeção

Os analisas Regis Cardoso, Marcelo Gumiero e Henrique Simões do Credit Suisse escrevem que a administração da Petrobras optou pela continuidade da política de dividendos, o que é uma boa notícia dada a incerteza gerada pelo barulho político em torno dela.

Os dividendos vieram acima da projeção, e representa 6,7% de yield para ações ordinárias e 7,4% para preferenciais, dizem.

Segundo eles, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente ajustado ficou em linha com as expectativas, e o lucro líquido superou a projeção do Credit Suisse em cerca de 16%, devido a perdas cambiais menores do que o previsto no resultado financeiro.

Já o fluxo de caixa livre para o acionista permaneceu robusto, com menor dívida líquida refletindo recebidos de desinvestimentos, redução em arrendamentos e capital de giro positivo, enquanto houve pagamentos de impostos acima do previsto e investimentos mais baixos.

O Credit Suisse tem recomendação neutra para os recibos de ações (ADRs) da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15, potencial de alta de 32% ante o fechamento de ontem na Bolsa de Nova York.

Citi: dividendos são bem-vindos

Os resultados financeiros da Petrobras vieram em linha com as expectativas apresentadas pela companhia em seu relatório de produção, com menores preços do petróleo no período, diz o Citi.

Os analistas Gabriel Barra, Andrés Cardona e Joaquim Alves Atie escrevem que foi positivo o anúncio de R$ 24,7 bilhões em pagamentos, o equivalente a R$ 1,89 por ação, rendimento de 7,5% sobre as ações ordinárias e 6,7% sobre as preferenciais.

“O anúncio foi positivo, mas ainda vemos alguns riscos na estratégia de alocação de capital futura da empresa”, comentam. O banco aponta que a política de preços de combustíveis, dividendos e investimentos podem mudar em breve.

No entanto, por enquanto, o anúncio dos dividendos em linha com a política atual e os resultados financeiros sem grandes surpresas, incluindo dívida bruta controlada e boa geração de caixa, pode sustentar as ações.

O Citi tem recomendação de compra para Petrobras, com preço-alvo em US$ 19 para os recibos de ação (ADRs) negociados na Bolsa de Nova York (Nyse), potencial de alta de 68% sobre o fechamento de ontem.

XP: atenções se voltam para o futuro

A Petrobras apresentou resultados de primeiro trimestre em linha com as expectativas, com forte geração de fluxo de caixa livre e declarando dividendos robustos, mas agora as atenções se voltam para as mudanças que a nova gestão irá realizar, diz a XP.

Os analistas André Vidal e Helena Kelm escrevem que ainda não há certeza sobre a natureza das mudanças que serão feitas na política de dividendos, mas baseado nas declarações do diretor-presidente da Petrobras, a distribuição deve se tornar mais discricionária e imprevisível.

“Apesar do alto risco inerente associado a este caso de investimento, mantemos nossa recomendação de compra para as ações principalmente com base nos valores descontados das ações”, comenta a corretora. Eles veem que os comentários da empresa durante a teleconferência pode influenciar as ações.

Sobre os resultados financeiros em si, o Ebitda ajustado de US$ 13,9 bilhões ficou praticamente em linha com o quarto trimestre e queda de quase 7% no ano, com dívida bruta e posição de caixa ajudada pela venda de ativos. Os dividendos de R$ 1,89 por ação também implicam em bom rendimento.

A XP tem recomendação de compra para Petrobras, com preço-alvo em R$ 35,50, potencial de alta de 39,5% sobre o fechamento de ontem.

Mudanças começam a acontecer, diz Ativa

Os resultados financeiros da Petrobras no primeiro trimestre foram robustos e a distribuição de dividendos surpreendeu positivamente, mas a empresa já dá sinais de retrocesso em sua governança, diz a Ativa Investimentos.

O analista Ilan Arbetman escreve que a companhia deixou de registrar o preço interno de transferência para o refino, um fator negativo na transparência dos resultados do segmento, que viu o lucro do segmento cair por maior efeito de giro de estoques.

A corretora destaca que o mix de produção melhor da Petrobras, com maior participação do pré-sal, compensou a queda nos preços do petróleo no período, levando a uma evolução nas margens operacionais da unidade.

“De forma geral, seguimos vendo as ações da companhia pressionadas pelo fator político nos próximos meses e em função da provável alteração das suas políticas de dividendos e preços de derivados”, comenta.

A Ativa Investimentos tem recomendação neutra para Petrobras, com preço-alvo em R$ 28 para as ações preferenciais, potencial de alta de 10,1% sobre o fechamento de ontem.