IF Hoje: Copom deve manter juros em 13,75% ao ano e comentar situação fiscal

Investidores querem saber como o comitê vê chances de piora da inflação e de aumento de juros com a PEC da Transição

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) encerra hoje sua última reunião do ano.

A grande expectativa do mercado financeiro é de que mantenha a taxa básica de juros da economia brasileira inalterada em 13,75% ao ano, como está desde agosto. Mas os investidores estão muito interessados nos comentários que o comitê vai fazer à sua decisão, especialmente no que diz respeito aos riscos fiscais que pesam sobre o Brasil neste momento.

A preocupação é com a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição, pela qual a equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pede permissão ao Congresso Nacional para gastar além do permitido pela regra do teto de gastos, excluindo dessa norma pelos próximos quatro anos as despesas com o Auxílio Brasil (rebatizado de Bolsa Família).

O projeto avançou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na terça-feira (6) com mudanças importantes em relação ao texto inicial da equipe de transição e, nesta quarta (7), será submetido à votação em plenário em dois turnos.

Em vez de quase R$ 200 bilhões de gastos acima do teto, o texto aprovado na CCJ tem um impacto de R$ 169,8 bilhões. O Bolsa Família fica excluído da regra por dois anos, e não quatro, e o novo governo precisa apresentar uma nova norma para os gastos públicos até agosto de 2023.

No Senado, há quem aposte em maior desidratação para que o texto seja aprovado no plenário. Essa versão da PEC também precisa estar em conformidade com o que a Câmara pensa, porque, se os deputados fizerem outras mudanças no projeto, ele precisa voltar ao Senado, demorando mais para entrar em vigor — e o governo de transição não tem tempo sobrando agora.

Quanto mais o governo gasta, maior a chance de precisar se financiar com dívida e maior o risco de não pagar. Então, os investidores que compram os títulos públicos (um tipo de promissória) da administração federal pedem uma maior remuneração, ou seja, maiores juros. Além disso, o dinheiro extra entrando na economia — também com o aumento do salário mínimo acima da inflação, uma promessa de campanha de Lula, e investimentos em infraestrutura e outras áreas — tende a pressionar os preços.

Os especialistas vêm prevendo que o Copom poderá voltar a cortar juros outra vez a partir do final do primeiro semestre de 2023. No entanto, caso o pior cenário para a inflação e a Selic se materialize, esse prazo se estenderia. Se a situação se deteriorar demais, no entanto, até mesmo um novo ciclo de elevação seria possível.

Os investidores querem saber como o comitê vê a chance de piora das perspectivas, e devem encontrar a resposta no comunicado que o Copom divulgará ao final do dia para explicar a sua decisão quanto aos juros.

Como afeta os investimentos?

Se existe possibilidade de manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo ou mesmo de aumento nos próximos meses, os investidores começam a antecipar essa tendência já, elevando os juros dos ativos de renda fixa. Esse tipo de aplicação fica mais atraente, e a Bolsa de Valores se torna menos interessante.

Agenda do dia

  • 0h – China: Balança comercial (novembro)
  • 7h – Zona do Euro: Taxa de desemprego e PIB (3º trimestre)
  • 8h – Brasil: IGP-DI (novembro)
  • 12h30 – EUA: Estoques de petróleo bruto (atual)
  • 18h – Brasil: Decisão do Copom sobre a taxa de juros