Dólar desacelera alta e fecha em R$ 5,66; Ibovespa sobe 0,06% liderado por papéis defensivos e de exportadoras

Bolsa de valores hoje: veja como se comportaram o Ibovespa e o dólar nesta terça-feira (2) e o que movimentou os ativos

O Ibovespa registrou leve alta hoje, ainda impulsionado por empresas defensivas e exportadoras, em meio a movimento de forte desvalorização do real ante o dólar e de avanço das taxas de juros.

Analistas indicam que a volta do investidor estrangeiro à bolsa brasileira nos últimos dias pode estar sustentando o mercado no curto prazo, a despeito de ruídos políticos domésticos.

Ibovespa hoje

No fim do dia, o índice subiu 0,06%, aos 124.787 pontos. Nas mínimas intradiárias, tocou os 124.310 pontos, e, nas máximas, os 125.491 pontos.

O volume financeiro negociado na sessão (até as 17h15) foi de R$ 15,21 bilhões no Ibovespa e R$ 19,79 bilhões na B3.

Mesmo diante de cenário de aversão a riscos nos mercados locais, com ruídos políticos provocando altas sequenciais do dólar e dos juros, o Ibovespa tem mantido alguma resiliência, dinâmica que se repetiu hoje.

Em destaque, empresas exportadoras e de setores considerados defensivos: PetroReconcavo ON subiu 5,49%, BRF ON teve alta de 2,56% e Itau PN subiu 1,30%.

“Desde a última decisão do Copom, que trouxe sinalização de que o Comitê está alinhado, o investidor estrangeiro voltou a aportar na B3, e isso tem ajudado. Ademais, como o real não para de se desvalorizar, a bolsa tem ficado cada vez mais barata em dólar. Como está atrativo, o não residente vai comprando um pouco. Não fosse por eles, o nível de preços seria outro. A composição do índice, com forte participação de commodities, também ajuda”, afirma Lucas Tambellini, sócio da Sumauma Capital.

Entre 14 e 28 de junho, os estrangeiros aportaram R$ 3,08 bilhões no mercado secundário à vista da B3. Não obstante, por conta do início de mês mais forte de vendas, o saldo em junho ainda foi negativo em R$ 4,23 bilhões. No ano, o déficit é de R$ 40,12 bilhões.

Com isso, o grupo retirou recursos da bolsa em cada um dos seis primeiros meses do ano, algo que não ocorria desde 2020, quando sacou por oito meses consecutivos: entre outubro de 2019 e maio do ano seguinte.

Tambellini opina que, apesar dos ganhos recentes, a recuperação da bolsa ainda parece frágil. “Se os ruídos internos continuarem e tivermos piora do cenário externo, podemos voltar a sofrer. A verdade é que não subimos de 120 mil pontos para 125 mil pontos por bons motivos. Ainda temos muitas ações domésticas de qualidade que acumulam quedas relevantes no ano, mas a carteira tem que ser mais equilibrada com commodities e bancos no momento.”

Dólar hoje

O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira em alta modesta nesta terça-feira, após se afastar da máxima do dia de R$ 5,70, após um alívio que também beneficiou os juros futuros.

O estresse das primeiras horas da sessão se deu após novas falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acerca da depreciação do real e críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,22%, a R$ 5,6652, após tocar mínima de R$ 5,6309 e máxima de R$ 5,7007.

Já o euro comercial subiu 0,28%, a R$ 6,0875. Mesmo com o alívio na última hora de sessão, o real teve um dos piores desempenhos do dia ante o dólar em relação ao ranking de 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor.

Por volta de 17h05 (de Brasília), o dólar avançava 1,30%, a 18,596 rands sul-africanos; cedia 0,03%, a 946,14 pesos chilenos; e caía 0,37%, a 4.116,82 pesos colombianos.

Já perto do fim das negociações, circulou no mercado o rumor de que o Banco Central teria consultado as tesourarias de grandes bancos para entender o estresse do mercado de câmbio.

É praxe a consulta do BC às mesas de operações em dias de oscilação significativa da taxa de câmbio. O Valor consultou as mesas de operação de diversas instituições financeiras para confirmar se houve algum contato extraordinário nesta terça-feira, mas todas negaram.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam em alta hoje – com S&P 500 e Nasdaq registrando novos recordes de alta – com os investidores considerando os comentários feitos pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell no Fórum de Sintra mais moderados, indicando que o banco central fez um grande progresso no caminho da desinflação e que a meta de inflação de 2% vai ser atingida no mais tardar em 2026.

Do lado do mercado de trabalho, o relatório “Job Openings and Labour Turnover Survey”, o Jolts, indica que novas vagas estão gradualmente sendo reduzidas aos níveis pré-pandêmicos, embora os dados de maio mostrem um ligeiro aumento.

Divulgado hoje, o relatório Jolts mostrou um crescimento das vagas em aberto em maio para 8,140 milhões, de 7,919 milhões ajustadas no mês anterior. Tanto o número de contratações como o de demissões cresceram, com as contratações indo de 5,6 milhões em abril para 5,8 milhões em maio. Já as demissões foram de 5,3 milhões para 5,4 milhões.

“As vagas de emprego e as contratações aumentaram modestamente em maio e, embora as demissões tenham aumentado ligeiramente, permanecem baixas”, afirmou Nancy Vanden Houten, economista-chefe dos EUA da Oxford Economics.

Segundo ela, o mercado de trabalho é suficientemente saudável para permitir que o Fed seja paciente antes de baixar as taxas de juro, embora os recentes dados favoráveis sobre a inflação dêem ao banco central mais liberdade para responder a quaisquer sinais surpreendentes de fraqueza no mercado de trabalho. “Continuamos esperando que o primeiro corte ocorra em setembro”, afirma.

No fechamento, o índice Dow Jones subia 0,41% a 39.331,85 pontos, S&P 500 avançou 0,62% a 5.509,01 pontos e o Nasdaq ganhou 0,84% a 18.028,76 pontos.

No front corporativo, as ações das empresas de consumo discricionário lideraram os ganhos depois que a Tesla divulgou entregas maiores do que o esperado no segundo trimestre, embora 4,7% inferiores ao resultado do ano anterior. As ações subiram 10,20%. As demais empresas do grupo das sete magníficas também registraram ganhos, com exceção da Nvidia, que amargou perdas de 1,31%.

Bolsas da Europa

A maioria dos principais índices acionários europeus encerraram o dia no vermelho, após os dados do índice de preços do consumidor (CPI) oferecerem uma leitura mista sobre o estado da inflação na zona do euro.

O índice Stoxx 600 caiu 0,44%, a 510,79 pontos. O setor de ações ligadas a seguros foi o que mais caiu, perdendo 1,6%. O Dax de Frankfurt recuou 0,69% a 18.164,06 pontos; e o Cac 40, de Paris, caiu 0,30%, para 7.538,29 pontos. O FTSE, da bolsa de Londres, teve queda de 0,56%, para 8.121,20 pontos.

O CPI ficou em 2,5% em junho ante 2,6% do mês anterior na zona do euro. O número ficou dentro do esperado pelo consenso de economistas consultados pelo The Wall Street Journal. Contudo, o núcleo do CPI – que exclui itens mais voláteis como alimentos, energia e tabaco – permaneceu elevado em 2,9% em relação a junho do ano anterior, levemente acima dos 2,8% esperado pelos economistas e inalterado em relação ao mês anterior.

Ainda no front macroeconômico, hoje também foi publicada a taxa de desemprego da zona do euro, que ficou em 6,4% em maio, estável em relação a abril. O resultado veio dentro do consenso de economistas.

Os agentes também acompanharam o discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), no Fórum de Sintra. Ambos pontuaram que a inflação de serviços ainda tem sido um obstáculo para levar a inflação cheia para a meta de 2% de forma sustentável.

Com informações do Valor Econômico

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