S&P: condições de crédito melhoram em emergentes com desaceleração da inflação

No Brasil, a S&P reforça maior certeza na política monetária e fiscal, que podem beneficiar o crescimento do Produto Interno Bruto do país

As condições de crédito estão melhorando nos países emergentes, à medida que a inflação desacelera e se afasta do seu pico, porém, diversos riscos permanecem e ameaçam impactar a atividade econômica. A análise é da agência de avaliação de risco S&P, em seu relatório sobre “Condições de Crédito nos Mercados Emergentes”, divulgado na terça-feira (27).

O documento relembra algumas das projeções de crescimento da consultoria, detalhados em outro relatório, publicado ontem. A S&P reforça que a atividade econômica de países emergentes deve desacelerar em um cenário financeiro “desafiador” e que os juros básicos deverão se manter restritivos “por período mais longo do que originalmente era esperado”.

“Nós vemos duas ameaças à frente: de um lado, o Federal Reserve (Fed) pode aumentar ainda mais suas taxas se a inflação não reduzir nos EUA; por outro lado, agora esperamos que as taxas de juros mais altas perdurem globalmente por mais tempo, o que será um desafio para empresas endividadas”, pontua o relatório.

A S&P Global também destaca que a recuperação econômica lenta na China, em meio a fraqueza na confiança doméstica e de empresas, pode “contagiar” outras economias da região asiática e mercados emergentes dependentes do país.

Em geral, a consultoria espera que, neste cenário, ações negativas de rating devem predominar, com poucas exceções. No caso do Brasil, a S&P relembra a recente mudança para perspectiva positiva no rating e reforça que a ação teve como base sinais de certeza maior sobre a política monetária e fiscal que podem beneficiar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. “O crescimento contínuo do PIB somado a estrutura emergente para a política fiscal brasileira podem resultar em uma carga de dívida do governo menor do que o esperado”, destaca.

Inflação entre emergentes

A inflação entre países emergentes desacelerou, contudo, continua acima das metas de bancos centrais na Europa, Oriente Médio, África e América Latina – exceto Brasil.

O relatório projeta que a inflação média anual entre emergentes da Ásia – excluindo as Filipinas – devem alcançar as metas dos bancos centrais ainda em 2023. “No entanto, para a maior parte de outros países emergentes, retornar a inflação aos objetivos dos bancos centrais até o final de 2024 deve ser uma jornada difícil”, avalia a S&P Global.

Segundo a consultoria, existem muitos fatores em andamento que podem resultar em choques na cadeia de oferta e aumentar a inflação, como a guerra na Ucrânia, aperto monetário nas economias avançadas e fenômeno climático El Niño.

Este último poderia gerar efeitos diversos globalmente, prejudicando a produção de commodities agrícolas. “Na América do Sul, os efeitos do El Niño se misturam com mais chuvas no Peru e nordeste do Brasil, mas secas no sul brasileiro; o impacto varia na Colômbia, mas é significativo para a produção de café”, conclui a S&P.

Com informações do Estadão Conteúdo