Semana da inflação: o que esperar do IPCA e de outros relatórios pelo mundo

Além do Brasil, EUA, China, Alemanha e França divulgam índices de preços de março

A semana que começa neste domingo (9) tem indicadores importantes de inflação mundo afora. Para nós, o mais relevante é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de março. A estimativa de economistas consultados pela Bloomberg é de alta de 0,77% na comparação com fevereiro e aumento de 4,7% na comparação com março do ano passado.

Cada dia da semana traz um relatório de grandes economias, todas reportam números de março. A China abre a semana da inflação nesta segunda-feira (10). O CPI da França fecha o calendário.

PaísData da divulgaçãoProjeção MoM*Inflação em fevereiro (MoM)Projeção YoY**Inflação em fevereiro (YoY)
ChinaSegunda-feira (10)0,20%-0,50%1,90%1%
BrasilTerça-feira (11)0,77%0,84%4,70%5,60%
Estados UnidosQuarta-feira (12)0,30%0,40%5,20%6%
AlemanhaQuinta-feira (13)0,80%0,87%7,40%8,70%
FrançaSexta-feira (14)1,10%6,30%
*Sigla para Month-over-Month, comparação do indicador com o mês anterior
**Sigla para Year-over-Year, comparação do indicador com o ano anterior
Projeções: Bloomberg

IPCA de março

A inflação oficial de março deve mostrar um cenário parecido com o que a prévia, medida pelo IPCA-15, mostrou: de um lado, o arrefecimento da inflação em serviços e alimentos puxa desaceleração do índice, do outro, o aumento no preço dos combustíveis se coloca como grande vilão e impede que o IPCA desacelere ainda mais. Este é o cenário que especialistas esperam confirmar na próxima terça-feira.

“Uma leitura melhor dos núcleos, principalmente de alimentos e serviços, pode costurar ambiente favorável para o corte de juros, que deve acontecer no segundo semestre”, afirma Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

No relatório trimestral, divulgado no fim do últimos mês, o Banco Central informou que a previsão de inflação para março é de 0,87%. As previsões até o fim do semestre mostram desaceleração da inflação e vão de encontro com a expectativa do mercado para o início do corte de juros.

Previsões do BC para a inflação

  • Março: 0,87%
  • Abril: 0,63%
  • Maio: 0,28% 
  • Junho: 0,29% 
  • 12 meses até junho: 3,79%

A XP fez uma revisão de cenário e agora diz esperar um corte da Selic em agosto. O banco cita o processo de desaceleração da economia e sinais de enfraquecimento do mercado de crédito como justificativas para o início do ciclo de cortes de juros.

Prévia da inflação

O IPCA-15, que mede a inflação na primeira metade do mês, desacelerou para 0,69% em março. Ainda assim, o indicador ficou levemente acima do esperado. A mediana das projeções de 35 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data apontava para uma alta de 0,67% no mês.

No acumulado em 12 meses, a prévia da inflação oficial ficou em 5,36%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A alta de 5,76% nos preços da gasolina foi determinante para o resultado. Ademais, a subida de preços do etanol (1,96%) também contribuiu. Outro ponto destacado foi o avanço de 9,02% nos transportes por aplicativo.

Segundo economistas do BTG Pactual, a prévia do IPCA de março trouxe bons sinais, em especial no segmento de serviços. Apesar disso, a continuada piora das expectativas de inflação seguiu nublando o cenário, em meio à discussão sobre a possível revisão da meta de inflação.

Reação do mercado

Ao analisar todos os dados inflação, é preciso considerar que os países vivem ciclos inflacionários diferentes.

O Brasil é visto como um dos mais adiantados: já vê a alta de preços diminuir e vislumbra corte de juros no início do segundo semestre.

Inflação baixa na China

A China tem uma inflação baixa e um eventual aumento no ritmo de alta dos preços pode indicar que a economia do país está desacelerando, o que é ruim para o mercado brasileiro.

EUA, Alemanha e França: foco na desaceleração da inflação

Já Estados Unidos, Alemanha e França vivem etapas similares do ciclo, com o mercado atento para confirmar se o processo de desaceleração da inflação continuará.

Para especialistas, relatórios não são determinantes

Os investidores olham para os dados pensando no corte de juros, mas especialistas alertam que os relatórios da semana da inflação não devem ser, por si só, determinantes para o direcionamento da política monetária dos bancos centrais.

“Vemos o mercado tentando interpretar falas, atas e forçando alguns números para justificar a expectativa de que a inflação irá arrefecer e os juros chegaram ao limite”, afirma Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante Investimentos.

Ele ainda alerta: “se perde muito dinheiro quando parece que os juros vão cair só porque subiram demais, é quando há grande volatilidade”.

Sem espaço para alta das ações

Lucas Schwarz, analista da VG Research, diz não enxergar espaço para a alta das ações, mesmo se a inflação surpreender positivamente.

“Já vimos um pequeno rali nas últimas semanas, o primeiro trimestre deste ano foi o melhor para as bolsas americanas em muito tempo.”

Por Raphael Coraccini e Leonardo Guimarães

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