Selic mais alta e lucros menores: as razões do Safra para rebaixar previsão do Ibovespa para 145 mil pontos

Em relatório enviado a clientes, a equipe de estratégia de renda variável do banco afirma que preocupações com a inflação nos EUA e situação fiscal doméstica têm demandado mais cautela dos investidores

A expectativa de Selic mais alta e lucros mais baixos fez o Safra reduzir de 155 mil para 145 mil pontos o preço-alvo para o Ibovespa ao fim deste ano. O banco também lançou o preço-alvo de 152,5 mil pontos para o principal índice da bolsa brasileira nos próximos 12 meses.

Em relatório enviado a clientes, a equipe de estratégia de renda variável do banco afirma que “as preocupações com a inflação norte-americana e a situação fiscal doméstica têm demandado mais cautela dos investidores”.

Os estrategistas observam as mudanças no cenário macro do Safra, que elevou a projeção para a Selic no fim deste ano de 9,5% para 10,25% e apontam que, com essas premissas, “atualizamos nosso custo de capital para 13,75% (de 13,50%) e reduzimos nossa estimativa de lucro por ação (LPA) do Ibovespa para 16.482 pontos em 2025 (de 16.932 pontos)”.

Os estrategistas do Safra citam, ainda, o aumento nas expectativas para a taxa Selic como um possível empecilho para a bolsa brasileira. “Apesar da ausência de indícios de excesso de demanda e dos núcleos de inflação próximos do centro da meta, o mercado elevou sua expectativa de alta da inflação, o que torna menos prováveis cortes de juros nas próximas reuniões do Copom.”

No âmbito microeconômico, os resultados mais fracos do que o esperado de Vale e Petrobras fizeram o desempenho das empresas no primeiro trimestre ficar 4,5% abaixo das expectativas do banco.

A estimativa da casa para o múltiplo preço-lucro do índice no ano que vem é 8,8 vezes — hoje, o Ibovespa é negociado a 7,4 vezes, conforme os números do Safra. Mesmo com um aumento para 8,8 vezes, o múltiplo seguiria 15% abaixo da média histórica de dez anos em razão dos prêmios de risco elevados, com incertezas em torno da atividade econômica e da inflação nos Estados Unidos, além do cenário fiscal do Brasil.

A recomendação da casa é de uma carteira mais defensiva, com nomes como Itaú, Vale, TIM, GPS e Copel, mas com alguns papéis de valor e/ou crescimento, como Rumo, BTG e Localiza.

Com informações do Valor Econômico