Deflação do IPCA-15 de julho coloca no radar queda maior da Selic em agosto

Copom deve iniciar já na próxima reunião o ciclo de cortes da taxa básica de juros; intensidade da redução pode surpreender

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) volta a se reunir em 1 e 2 de agosto para, ao que tudo indica, iniciar o ciclo de quedas da taxa Selic no Brasil. A posição majoritária dos agentes financeiros até aqui é de um corte inicial de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano.

Mas entrou no radar nesta terça-feira (25) a chance de o Copom fazer uma redução mais intensa, de 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano.

O motivo é a deflação maior do IPCA-15 de julho, divulgado mais cedo pelo IBGE. A prévia da inflação oficial brasileira ficou em -0,07% no mês, enquanto o mercado projetava uma taxa de -0,03% no mês.

Daniel Cunha, estrategista-chefe da BCG Liquidez, avalia que o resultado apontou um cenário favorável para a segunda parte do processo desinflacionário.

“Para um BC dependente dos dados, o IPCA-15 de julho tem poder de amainar a cautela e parcimônia dos diretores mais conservadores, abrindo a porta para o processo de afrouxamento monetário ser iniciado com um corte de 0,50 ponto percentual, sem necessariamente perde a paciência e a serenidade”, afirma.

Alexandre Maluf, economista da XP, destaca em relatório que as medidas de núcleos e serviços “apresentaram melhora inequívoca em julho, aumentando marginalmente as apostas para um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom”.

“No entanto, as variações ainda relativamente altas em 12 meses da média dos núcleos (5,5%) e dos serviços subjacentes (5,9%), aliadas ao discurso recente dos membros do Copom e às expectativas de inflação acima da meta, ainda nos fazem crer que o Copom optará por iniciar o ciclo de corte com 0,25 pp em agosto”, diz o especialista.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, considera que a inflação está menos espalhada pela economia. “Quando olhamos alguns grupos, vemos uma melhora na composição do índice. Tanto na variação mensal quanto no acumulado de 12 meses, os serviços subjacentes e a média dos núcleos arrefeceram na passagem de junho para julho. O índice de difusão, que mostra o porcentual dos itens que aumentaram de preços no mês, passou de 51% para 48%”, anota.

Apesar disso, a perspectiva para ele é de um primeiro corte de 0,25 ponto percentual. “O Copom deve manter inicialmente uma postura de parcimônia e cautela. Alguns grupos, como serviços, ainda se encontram acima do desejado pelo Banco Central e precisam dar mais sinais de arrefecimento nos próximos meses”, explica o estrategista.