PIB do segundo trimestre: apostas vão de alta de 0,1% a 0,5%, puxado pelo setor de serviços

Agronegócio, que se destacou na alta do primeiro trimestre, deve devolver parte dos ganhos

Após o impulso da safra recorde de grãos, principalmente de soja, no desempenho da economia no primeiro trimestre, a agropecuária deve devolver parte dos ganhos no PIB do segundo trimestre. No entanto, o setor de serviços deve mostrar crescimento, mesmo ainda em meio ao cenário de taxa de juros Selic elevada.

Essa é a perspectiva dos integrantes do mercado financeiro para a atividade do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2023, que será conhecido na próxima sexta-feira, no dia 1º de setembro, divulgado pelo IBGE.

A reportagem da Inteligência Financeira consultou quatro instituições financeiras, Itaú BBA, BTG, Santander e XP, além de conversar com dois economistas, Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), e José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Perspectivas para o PIB

Em geral, todos esperam por uma alta do PIB na comparação com o trimestre anterior. O crescimento, no entanto, virá menos forte do que se viu no primeiro trimestre, quando impulsionado pelo agro, a atividade econômica surpreendeu com uma alta de 1,9%.

Dessa vez, fora da safra, a atividade do campo veio mais contida. No entanto, mesmo assim, deve ter algum destaque na leitura do IBGE.

“A safrinha de soja veio muito boa. Ela, obviamente, não se compara à supersafra do começo do ano. Mas a boa notícia é que o agro não vai atrapalhar a medição do PIB”, destaca Mendonça de Barros.

O economista, aliás, está na banda dos mais conservadores quanto ao que esperar do PIB na sexta-feira. Ao lado do Santander, ele espera por uma alta tímida de 0,1% na comparação com o trimestre anterior. A XP tem a previsão mais otimista, com alta de 0,5%.

Itaú BBA

O braço de investimentos do Itaú-Unibanco estima que o PIB do segundo trimestre tenha avançado 0,3% na margem (2,7% na comparação com o segundo trimestre do ano passado).

O destaque, para o banco, fica com a contribuição positiva do setor de serviços. De acordo com a instituição, o segmento cresceu 0,6% na margem. Já a indústria deve ter se mantido estável no período, enquanto o PIB agropecuário recuou 2,4% na margem, devolvendo parte da forte alta registrada nos primeiros três meses do ano.

Santander

O Santander Brasil aumentou a sua projeção de crescimento do PIB no segundo trimestre, de estabilidade (0,0%) para 0,1% na margem. Apesar da alta, o PIB marcaria uma desaceleração para o que se viu no primeiro trimestre, em que o PIB avançou 1,9%.

O ponto é observado pela economista-chefe do banco, Ana Paula Vescovi, em relatório. “Se a nossa projeção estiver correta, isso implicaria em uma desaceleração importante na variação trimestral, na esteira do fim dos efeitos da contribuição massiva da produção agrícola no primeiro trimestre, em linha com o volume recorde das safras de grãos”, escreveu.

O Santander espera uma queda de 1,6% para o PIB da agropecuária, compensada por altas de serviços (0,2%) e da indústria (0,2%).

Pelo lado da demanda, mais uma vez os serviços, principalmente pelo consumo das famílias, com alta esperada de 0,8%.

BTG e XP

O BTG espera por uma alta do PIB de 0,24% na margem. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o banco espera expansão de 2,64%, ante 4,0%, na leitura anterior.

Segundo o banco, a leitura do segundo trimestre deverá refletir os dados mais positivos para indústria e para os serviços.

“Apesar de condições financeiras bastante restritivas, o mercado de trabalho resiliente, novos estímulos fiscais, e forte performance dos setores de mineração e pecuária contribuíram para o crescimento econômico no segundo trimestre”, afirma o economista do banco, Bruno Martins, em relatório enviado a clientes.

A XP, por sua vez, projeta uma alta de 0,5% para o PIB no período, crescimento de 2,8% frente o mesmo período do ano anterior.

Economistas em linha com o mercado

Nas contas do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), a soma das economias do Brasil no segundo trimestre deve registrar avanço de 0,2% a 0,3%. O setor de serviços deve subir na casa de 0,7% e a indústria estará levemente positiva, em 0,4%.

“Já agricultura deverá vir negativa, mas muito porque a base (do trimestre anterior) é alta”, diz ele, que espera uma queda de 3% no segmento, embora com uma ponderação: “Não tenho muita firmeza sobre a projeção de agro”, diz Schwartsman, que vê o PIB do país avançando 2,5% em 2023.

Mendonça de Barros não tem projeção setorial trimestre a trimestre, ele faz as contas apenas contra o mesmo período do ano passado. Dessa forma, ele que espera alta de 0,1% no segundo trimestre, vê o PIB avançando 2,3% em 2023.