EUA: por que os 209 mil empregos criados em junho impactam o bolso do investidor

Com isso, as bolsas americanas podem encontrar algum alívio ao longo do dia depois de uma quinta-feira de perdas

A economia dos Estados Unidos adicionou 209 mil empregos em junho, sinalizando um mercado de trabalho um pouco menos aquecido que nos meses anteriores, informou nesta sexta-feira (7) o Departamento de Trabalho americano. A taxa de desemprego dos EUA, por sua vez, recuou para 3,6%, uma queda de 0,1% frente o mês anterior.

O resultado veio ligeiramente abaixo das previsões dos economistas, que esperavam, na média, algo como 240 mil novos postos de trabalho no período. Como lembra o editor-sênior da Bloomberg, Chris Anstey, esse foi o primeiro dado de emprego americano que veio abaixo das expectativas em mais de um ano.

O Departamento do Trabalho revisou para baixo os números de criação de postos de trabalho do mês de maio, que saiu de 339 mil para, agora, 306 mil. Em abril, após revisão, a geração de empregos recuou de 294 mil para 217 mil.

No mês de junho, o salário médio por hora de um trabalhador americano teve alta de 0,36%, ou US$ 0,12, em relação ao mês de maio, indo a US$ 33,58. Na comparação com o mesmo mês, do ano anterior, houve ganho salarial de 4,35% no último mês.

Por que a geração de emprego interessa o investidor

Nos Estados Unidos, os analistas receberam o dado como positivo, apesar de verem um mercado de trabalho forte o suficiente para manter em alerta tanto a autoridade monetária, que tenta controlar a inflação, quanto os agentes financeiros, que apostam dinheiro na previsão do patamar final da curva de juros do maior mercado do mundo.

Apesar de parecer contraditório, o mercado e mesmo os formuladores de política econômica querem ver um ritmo menor de criação de empregos nos Estados Unidos neste momento, por sinalizar um desaquecimento da economia.

Quando as empresas entram em um ciclo de contratação de trabalhadores e aumento de salários, exercem pressão ascendente sobre a inflação, o que complica os esforços do Federal Reserve (FED, o banco central americano) para enfraquecer as pressões de preços por meio do aumento da taxa de juros.