Itaú: Abrir maior mercado do mundo para nossos clientes é oportunidade muito grande, diz executivo

Segundo Carlos Constantini, o negócio com a Avenue completa uma área que faltava para o Itaú, a distribuição de investimentos no mercado internacional

Ao olhar para o ecossistema de investimento que construiu, uma das peças que faltava no quebra-cabeça do Itaú Unibanco era a distribuição de investimentos no mercado internacional e foi isso que o banco viu no negócio com a Avenue, segundo Carlos Constantini, executivo chefe da divisão de gestão de riqueza da instituição. “Abrir maior mercado do mundo para nossos clientes, favorecendo diversificação, é oportunidade muito grande, disse em conferência de imprensa.

Ele comentou que a aproximação começou com o objetivo de pensar numa parceria comercial e acabou evoluindo para uma aquisição. “[Essa alternativa] caiu de madura. [Roberto] Lee [fundador da Avenue é um grande executivo, houve uma identificação fundamental”, disse Constantini.

Lee comentou que a parceria com o Itaú fecha ciclo de construção independente e inicia o de indústria propriamente dita, chancela o negócio de investimento internacional com uma grande bandeira ao lado, comentou Lee. “Acredito que esse acordo vai forçar toda a indústria a se conectar a investimentos no exterior”, afirmou.

Após ter fechado a aquisição da Ideal no início do ano, Constantini avaliou que não antecipa nenhuma dificuldade de aprovação por autoridades reguladoras, como o Cade ou o Banco Central.

Lee disse não haver praticamente sobreposição de clientes com o Itaú, já que o banco não atuava na distribuição no exterior via plataforma, apenas no atendimento ao público do private banking. “Temos atividade complementar ao Itaú, nosso foco é varejo de alta renda”, afirmou. “

Aquisição faseada

A aquisição faseada do controle da Avenue pelo Itaú Unibanco não prevê, por ora, a saída de investidores capitalistas que apoiaram a operação desde o início, segundo Lee. Nomes como Vectis, Igah e Softbank, que entraram no capital nas rodadas de captação permanecem na operação de forma linear e serão apenas diluídos.

Já Constantini disse que já na largada a transação prevê a compra do controle em dois anos, com a participação alcançando 50,1%, e num intervalo de cinco anos o banco tem a opção de ficar com 100% da operação, num valuation a ser feito conforme métricas de crescimento e receitas lá na frente. “A gente faz faseado para deixar algum ‘upside’ da empresa para o grupo de controle atual, os acionistas e ‘founders’, e para mantê-los engajados”, disse.

Por Adriana Cotias e Álvaro Campos, Valor Econômico — São Paulo.