Haddad sobre corte da Selic: ‘Políticos gostariam de uma redução de 1 ponto’

Ministro da Fazenda avalia que 'ninguém espera a manutenção' da taxa básica de juros

O ministro da Fazenda afirmou que a maior parte do mercado financeiro aposta em um corte de 0,50 ponto porcentual na Selic na reunião desta quarta-feira (2) do Copom (Comitê de Política Monetária).

“No mercado tem gente falando até em queda de 0,75 p.p., mas ninguém espera manutenção da taxa, não existe um economista com reputação que possa defender manutenção”, disse Haddad.

“E não falo nem nem de políticos, porque eles políticos gostariam de uma redução de 1 ponto, como aconteceu no Chile na semana passada”, emendou.

Na avaliação do ministro, a redução da taxa de juro hoje terá impacto sobre os investimentos de longo prazo no país.

“Um investidor que vai tomar decisão agora, olha para a taxa de juro no longo prazo, faz as contas e começa a verificar que talvez não seja tão vantajoso manter o dinheiro guardado e que, se ele expandir operações, vai ganhar mais dinheiro no futuro”, disse.

Para Haddad, houve um “esforço monumental” por parte do governo federal para que a inflação começasse a cair e os juros pudessem ser cortados.

“Estávamos vivendo um surto inflacionário no país há pouco tempo, com inflação de dois dígitos. A inflação que estava em mais de 10% está agora na casa de 3,2%”, relembrou.

Para o ministro, houve um “choque de credibilidade” no governo federal, o que também contribuiu para o controle da inflação.

“O país estava desgovernado. Começou a se gastar dinheiro a rodo, principalmente durante a eleição, mais de R$ 300 bilhões de dinheiro público investido visando a eleição”, comentou.

E a reforma tributária?

Fernando Haddad voltou a defender a aprovação da reforma tributária, dizendo que a medida tem “vários ingredientes” e que o primeiro deles é a desoneração total dos investimentos.

“Como todo mundo fica igual, todo investidor é tratado igualmente e o investimento é totalmente desonerado. Você não paga sobre o que você está investindo, o que é um ganho enorme, estimula a pessoa a investir”, argumentou.

Para Haddad, a reforma também vai possibilitar a diminuição de impostos sobre produtos essenciais, como os alimentos, gerando um impacto positivo sobre a distribuição de renda.

O ministro também afirmou ser “impossível piorar” o sistema tributário brasileiro, e que a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das reforma pela Câmara dos Deputados “gerou um novo ar” para o país.

“Você está respirando melhor no Brasil, as perspectivas de investimentos vão melhorar muito”, disse Haddad, citando, também, as recentes melhorias nas classificações de rating soberano do país.

Haddad frisou que os impactos da reforma tributária devem ter um efeito diluído no tempo, mas que as decisões precisam ser tomadas agora. “É como na situação dos juros, que impactam imediatamente a decisão de investimentos. O mesmo vai acontecer com a reforma tributária”, observou.

Na avaliação do ministro, os investidores irão olhar para o Brasil e ver que o país “tomou jeito”.

“O Brasil tinha entrado em um ciclo de baixo crescimento, briga política, polarização e desentendimento. E tudo que o presidente Lula quer é harmonizar de novo e o país voltar a crescer”, comentou.

Com informações do Estadão Conteúdo