Haddad deixa correção da tabela do Imposto de Renda para o segundo semestre

A isenção para quem ganha até R$ 5 mil foi uma das propostas de campanha presidencial de Lula

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na terça-feira (17) que o governo pretende fazer uma reforma do Imposto de Renda (IR) no segundo semestre. Segundo ele, caso a reforma tributária seja aprovada logo, a outra poderia começar na segunda metade do ano.

“No segundo semestre, nós queremos votar uma reforma tributária sobre a renda para desonerar as camadas mais pobres do imposto e onerar quem hoje não paga imposto. Muita gente no Brasil não paga imposto. Precisamos reequilibrar o sistema tributário para melhorar a distribuição de renda”, disse Haddad em Davos (Suíça), onde participa do Fórum Econômico Mundial.

A correção da tabela do IR, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, foi uma das propostas de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.

Passada a eleição, no entanto, ainda em novembro de 2022, o senador eleito e agora ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), indicou que as mudanças poderiam não ocorrer em 2023.

“É uma proposta para o mandato. Ela não está sendo tratada nem na PEC [da Transição] nem na reorganização do Orçamento [de 2023]”, disse na ocasião Dias, que foi à época escalado por Lula para acompanhar o Orçamento deste ano.

Em setembro de 2021, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de reforma do Imposto de Renda, mas ela está parada no Senado.

FMI na elaboração de nova âncora fiscal

Após participar de reunião com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, o ministro Fernando Haddad, informou que o organismo multilateral colocou sua instituição técnica à disposição do Brasil para auxiliar o governo Lula na discussão da nova âncora fiscal.

“Eles ficaram sabendo das nossas discussões fiscais e colocaram a equipe técnica à nossa disposição para que possamos conhecer as regras atuais em vigor e apresentarmos uma proposta mais crível para o Congresso”, disse Haddad a jornalistas, depois do encontro.

Segundo o ministro, o FMI também está colocando em discussão global a sustentabilidade política. “Para o nosso governo, isso já era importante, mas essa questão estar no radar do FMI mostra que o tema é muito fundamental.”

Na reunião com o ministro das Finanças da Colômbia, José Antonio Ocampo, a discussão da integração com os países do Mercosul foi tema principal. “Desunidos, nós não vamos muito longe.”