Há alguma desconfiança com execução do arcabouço fiscal, diz Galípolo

Diretor de Política Monetária do Banco Central considerou que o mercado também tem receios ligados à sucessão no comando do órgão

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (26) que temores no mercado ligados ao atingimento de metas fiscais do governo estão pesando nas expectativas de inflação.

“Há ainda alguma desconfiança sobre execução do arcabouço fiscal”, disse Galípolo durante o J. Safra Brazil Conference 2023.

O diretor da autoridade monetária também citou certo receio dos agentes ligados à sucessão no comando do BC.

O mandato do atual presidente do órgão, Roberto Campos Neto, termina no final de 2024.

Galípolo, assumiu o cargo de diretor em julho, por indicação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Seus comentários estão em linha com o conteúdo da ata, divulgada nesta manhã, da última reunião do Comitê de Política Monetária do BC.

O documento deu detalhes sobre os motivos que levaram o colegiado a cortar o juro básico em 0,5 ponto, para 12,75% ao ano.

Na ata, o comitê avalia que parte da incerteza nos mercados, hoje, se refere mais à execução das medidas de receita e despesas compatíveis com o arcabouço e o atingimento das metas fiscais.

Uma das metas do arcabouço acompanhadas com mais atenção por economistas é a de déficit primário zero em 2024.

No boletim Focus divulgado pelo BC na segunda-feira, a previsão do mercado para esse indicador passou de déficit de 0,73% para 0,80%.

Brasil em vantagem

Para Galípolo, a economia brasileira tem tido uma combinação benigna, com mercado de trabalho resiliente, inflação em queda e crescimento do PIB surpreendendo para cima.

Segundo ele, isso significa que o PIB do país pode crescer mais com menos pressão inflacionária.

Porém, alertou, o ponto mais importante do cenário no momento para fins de condução da política monetária é a evolução da economia internacional.

Nesse sentido, Galípolo alertou para incertezas ligadas à retomada do crescimento da economia da China e ao ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.

“Temos um cenário mais desafiador do ponto de vista internacional”, afirmou.

De todo modo, o diretor considerou que o Brasil tem vantagens comparativas no cenário global, como o elevado nível de reservas internacionais.

Citou também a transição mundial para uma economia baseada em matriz energética de baixo carbono.

“Teremos menos custo e menor pressão inflacionária”, disse, referindo-se ao que chamou de transição ecológica.