É pouco provável aceleração de ritmo de corte da Selic, afirma diretor do BC

Fala reforça entendimento que já havia ficado claro na ata do Copom

O diretor de política econômica do Banco Central (BC), Diogo Abry Guillen, reforçou, durante evento em São Paulo, a mensagem da autarquia de que, salvo mudança no cenário, não está nos planos aumentar o ritmo de flexibilização monetária.

Ao explicar os motivos que levaram o Comitê de Política Monetária (Copom) a cortar a Selic em 0,50 ponto porcentual na última quarta-feira, Guillen citou a diminuição recente das expectativas de inflação e a melhora, na ponta, da inflação dos serviços.

Um conjunto de indicadores recentes, disse, amenizou os riscos e trouxe a confiança necessária para o BC abrir o ciclo de cortes dos juros.

Busca de maior confiança

No entanto, ponderou, o BC precisa acumular maior confiança para intensificar o ritmo para 0,75 ponto porcentual, ao invés da repetição dos cortes de meio ponto, indicada para as próximas reuniões do Copom.

Entre as condições para acelerar o passo, elencou, estão a maior abertura do hiato do produto e a reancoragem das expectativas de inflação. “É baixa a probabilidade de intensificação do ritmo de ajuste”, declarou Guillen. “Para intensificar o corte de Selic, precisamos reunir um conjunto maior de informações”, acrescentou.

Compromisso do BC

Ele observou que o ritmo de 0,50 ponto porcentual indicado para as próximas decisões do Copom demonstra o compromisso do BC com a convergência da inflação em direção à meta de inflação dos próximos anos: 3%. “Temos que trabalhar isso, diz respeito à credibilidade do Banco Central”, afirmou.

Embora considere que a manutenção da meta em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tenha sido importante para derrubar as expectativas de mercado, o diretor pontuou ainda que o BC tem sido enfático quanto à necessidade de a política monetária se manter contracionista ao longo do ciclo. Nesse ponto, ele observou que o núcleo de bens mostra comportamento benigno, porém os preços dos serviços seguem pressionados.

Com informações do Estadão Conteúdo