Dólar perde 1,86% na semana, mas ainda acumula ganhos de 3,09% em agosto

Na sexta-feira (28), a moeda norte-americana recuou 0,10%, vendida a R$ 4,8750

Após ter tocado R$ 4,90 no fim da manhã, sob impacto inicial do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano), Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole, o dólar à vista perdeu força ao longo da tarde e encerrou a sessão desta sexta-feira, 25, em queda de 0,09%, cotado a R$ 4,8756. Na semana, a moeda apresenta desvalorização de 1,86% – o que reduziu os ganhos acumulados em agosto a 3,09%.

A movimentação do real ao longo do dia pode ser atribuída, em grande parte, ao ambiente externo. O dólar abriu em queda e desceu até a mínima de R$ 4,8581 na primeira hora de negócios, em meio ao avanço do minério de ferro e de commodities agrícolas, na esteira de anúncio de medidas do governo chinês de apoio ao setor imobiliário.

Por aqui no Brasil, a alta de 0,28% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) em agosto, no teto do intervalo de Projeções Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Estadão), tirou força das apostas em corte mais agressivo da taxa Selic e deu suporte ao real. A maré virou com a aceleração dos ganhos da moeda norte-americana no exterior e do avanço das taxas dos Treasuries após Powell sinalizar necessidade de política monetária restritiva por mais tempo.

Ao longo da tarde, contudo, os dois vetores que abalavam o real – taxas dos Treasuries e apreciação do dólar no exterior – perderam força, com investidores digerindo discursos de outros dirigentes do Fed e ponderando a própria fala de Powell. Após tocar máxima aos 104,447 pontos, índice DXY – que mede o desempenho da moeda americana frente a seis divisas fortes – desacelerou bastante, operava no fim da tarde ao redor 104,100 pontos. Houve certa recuperação do euro e da libra com discurso duro contra a inflação da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

Além disso, retornos dos Treasuries longos perderam fôlego na segunda etapa dos negócios, com o retorno do papel de 10 anos em baixa. Divisas emergentes pares do real, como peso mexicano e chileno, também ganharam força. Destaque para o rand sul-africano, com ganhos de cerca de 0,70% ante o dólar. As cotações futuras do petróleo subiram, com o contrato do Brent para fechando em alta de 1,24%, a US$ 83,95 o barril.

Após experimentarem perdas fortes na primeira quinzena de agosto, em um claro movimento de realização de lucros estimulado pela mudança de nível das taxas dos Treasuries, as moedas latinas esboçaram uma recuperação técnica nos últimos dias. Esse movimento se dá em meio a altas consecutivas do preço do minério de ferro e à expectativa de medidas mais assertivas do governo chinês evitar alastramento dos problemas no setor imobiliário.

Discurso de Powell, presidente do banco central dos EUA

“O discurso de Powell não surpreendeu o mercado. A bolsa americana até que está esperando bem. O ambiente para ativos de risco não piorou hoje e as moedas emergentes estão com bom desempenho”, afirma o diretor de investimentos da Alphatree Capital, Rodrigo Jolig, que vê o real ainda forte nos próximos três ou seis meses. “Já o IPCA surpreendeu um pouco para cima, o que foi ruim para a bolsa e provocou alta dos juros futuros.”

Powell reiterou em seu discurso que os próximos passos do Fed serão dados com cautela e de acordo com indicadores econômicos. Ele ponderou, contudo, que “evidências adicionais” de força da economia podem levar o BC a subir mais os juros. A inflação está em níveis ainda elevados, apesar de leituras recentes mostrarem arrefecimento. A política monetária, segundo ele, será mantida em níveis restritivos até que a inflação caia de forma sustentada em direção à meta de 2%.

Com informações do Estadão Conteúdo