Decisão de juros: o que esperar do Fed após PIB acima do esperado nos EUA?

Economia americana cresceu 2,9% no quatro trimestre de 2022, mais forte que os agentes financeiros projetavam

Apesar do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do quarto trimestre de 2022 ter vindo mais forte que o esperado, o dado já mostra uma desaceleração que deve aumentar no decorrer de 2023, segundo economistas, e não vai alterar o comportamento do Federal Reserve (Fed) em relação ao aperto monetário nos Estados Unidos.

A expectativa é que o Fed siga o tom das comunicações feitas por seus membros nas últimas semanas. “Embora o Fed pareça favorecer outra redução no ritmo dos aumentos dos juros, a comunicação feita desde a última reunião de dezembro sugere que os formuladores de políticas não mudaram sua visão sobre onde a taxa provavelmente terminará, ou a visão de que as pressões inflacionárias diminuirão lentamente”, afirmou o economista Michael Gapen, do Bank of America (BofA).

Segundo ele, em relatório assinado com sua equipe, apesar do PIB do quarto trimestre de 2,9% ter vindo acima do esperado – o BofA trabalhava com projeção de 2,5%, o fato dos gastos dos consumidores e da produção industrial ter caído em novembro e dezembro devem levar o Fed a incluir em seu comunicado que “a atividade econômica parece ter desacelerado depois de aumentar no terceiro trimestre”. Para Gaspen, o Fed parece confortável com a redução do ritmo para 0,25 ponto em fevereiro – o que o BofA prevê – mas segue achando que a taxa terminal mais apropriada está entre 5% e 5,25% e de que não haverá cortes em 2023.

O economista chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, afirma que, embora tenha vindo acima do previsto, o PIB americano do quarto trimestre mostrou fraquezas em diversos pontos. Em relatório assinado com sua equipe, Hatzius pondera que mais da metade do crescimento do PIB veio do aumento de estoques no setor privado, o que deve pesar sobre o desempenho do indicador no trimestre atual. “A economia dos EUA cresceu a uma taxa acima da tendência, mas perdeu força à medida que o trimestre avançava, estabelecendo um início fraco para 2023”, resume o economista chefe do Wells Fargo, Jay Bryson, em relatório enviado a clientes.

Economista-sênior do Canadian Imperial Bank of Commerce (CIBC), Katherine Judge ressalta a desaceleração mais pronunciada da demanda doméstica dos EUA informada hoje, que foi de alta de 1,5% no terceiro trimestre para avanço de 0,8% no quarto.

Segundo ela, o movimento é um indicativo de que a atividade está respondendo ao massivo aumento dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2022. Ainda assim, enquanto o consumo estiver forte e o PIB subir acima das previsões, o BC americano se manterá no caminho para elevar os juros em 0,5 ponto percentual este ano, para uma taxa terminal de 4,75% a 5%, projeta Judge.

A projeção da economista está mais próxima do atualmente projetado pelo mercado, de 5%, do que o comunicado pelo tom mais ‘hawkish’ pelo Fed. Na quarta-feira, após o Banco do Canadá ter anunciado que faria uma pausa em seu aperto monetário, os futuros dos fed funds chegaram a precificar durante algumas horas, de forma minoritária, que o Fed também não elevaria os juros em fevereiro.

Para o analista de câmbio Lee Hardman, do banco japonês MUFG, contudo, o dólar está vulnerável as expectativas de redução no ritmo de altas do Fed por isso é improvável que ele siga o Banco do Canadá em pausar o ciclo de altas. “O Fed provavelmente irá reduzir o ritmo de altas para 0,25 ponto em fevereiro mas irá se proteger com a retórica altista de que precisa subir os juros para um nível acima de 5”, disse ele, em nota. Segundo ele, isto impediria o dólar de cair mais no curto prazo.