Campos Neto minimiza críticas de Lula sobre autonomia do Banco Central

Presidente da autoridade monetária disse que falas do presidente da República foram 'tiradas de contexto'

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, comentou na quinta-feira as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à autonomia da autoridade monetária e afirmou que trechos da entrevista foram “tirados de contexto”.

“Em algumas dessas entrevistas, muitas coisas são tiradas de contexto. Se você olhar a entrevista, em uma parte ele fala sobre o [Henrique] Meirelles [ex-presidente do BC] ter sido independente e em outra parte acho que o que ele quis dizer é que não acha que é necessário ter independência em lei, é possível ter independência sem lei”, disse em palestra para a University of California, Los Angeles (UCLA).

“Mas quando pensamos no que aconteceu no Brasil e como o processo eleitoral foi difícil, acho que que teria muito mais volatilidade no mercado se o BC não tivesse autonomia legal. Seria mais um elemento de incerteza e adicionado mais volatilidade”, complementou.

Campos ressaltou que “no primeiro teste”, a independência do BC “mostrou resiliência”. O titular da autoridade monetária destacou, ainda, que a autonomia formal foi votada no Congresso e validada no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu devo a todas essas pessoas que apoiaram a autonomia do BC permanecer resiliente até o fim do meu mandato”, afirmou. Campos reforçou que, em resposta a quem apoiou a autonomia do BC, a autarquia vai “agir de forma independente” e ele vai “ficar até o fim do mandato”.

Em entrevista concedida na quarta-feira à “GloboNews”, Lula classificou como “uma bobagem” a ideia segundo a qual ter um Banco Central independente pode ser melhor para o país.