BCE sai na frente do Fed e corta juros na zona do euro

Início do relaxamento da política monetária na região já era esperada pelo mercado financeiro

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu cortar suas taxas de juros em 0,25 ponto percentual depois de mantê-las inalteradas em níveis historicamente elevados desde setembro de 2023. A redução era amplamente esperada pelo mercado.

Com a decisão, a taxa de referência caiu para 3,75%, a taxa de refinanciamento ficou em 4,25% ao ano e a taxa de empréstimos em 4,5%. O corte já era esperado pelo mercado e era sinalizado pelas autoridades do BCE desde o início do ano.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, já havia indicado na reunião deste ano de Davos que o início do afrouxamento monetário seria em junho.

Obstáculos pelo caminho

Hoje, Christine Lagarde, disse que a decisão de cortar os juros mesmo com um ligeiro repique da inflação em maio para 2,6% se deu porque a confiança no caminho à frente aumentou recentemente.

“A estabilidade das previsões inflacionárias contribuiu para a decisão de cortar os juros”, disse ela, destacando que apenas um dirigente do BCE não apoiou o corte desta quinta-feira.

Lagarde conta que o combate a inflação já teve duas fases, a de aumento de juros, que durou desde final de 2019 até setembro de 2023, e de manutenção, que se estendeu pelos últimos nove meses. “Em cada fase, a inflação caiu pela metade. Agora, começamos a terceira fase, de reduzir as taxas”, disse.

Ciclo de cortes

Contudo, a presidente do BCE ainda precisa de mais dados para ver se o caminho da desinflação continuará e ressaltou que haverá “obstáculos no caminho”. Ela salientou também que a rapidez e os momentos dos cortes são incertos, com volatilidade, mas que, apesar dos obstáculos, há mais confiança à frente de um processo desinflacionário.

“Há grande chance de termos um ciclo de cortes”, disse.

Um ponto de preocupação é o crescimento dos salários, que seguem pressionando a inflação de serviços. Segundo ela, o aumento forte dos salários foi provocado por reajustes e componente domésticos. “Ainda que elevados, vemos os salários em um caminho de declínio”, afirmou.

Lagarde destacou, contudo, que o BCE está apenas moderando o aperto da política monetária que segue restritiva. “Ainda que o juro neutro tenha aumentando depois da pandemia, ainda estamos muito longe dele”, afirmou.

Com informações do Valor Econômico