Ata mostra Fed cauteloso e não sinaliza queda dos juros nos EUA; bolsas de NY fecham em queda

Na avaliação dos investidores, comunicado do Fed injetou incertezas na expectativa por cortes de juros mais agressivos a partir de março

Ao manterem a taxa de juros no intervalo de 5,25% a 5,50% na reunião de dezembro de 2023, os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) consideraram que a decisão era apropriada com o objetivo de levar a inflação no país à meta de 2% ao longo do prazo.

Dentro da discussão, mostra a ata do encontro divulgada nesta quarta-feira (3), as autoridades monetárias estadunidenses avaliaram que os juros estavam no pico ou perto dele no atual ciclo de aperto monetário.

Os membros do Fed reconheceram o progresso no controle da inflação e destacaram que os indicadores mais recentes apontavam para uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia, além de um maior equilíbrio no mercado de trabalho, com ganhos de emprego mais suaves.

Mesmo diante de sinais econômicos mais favoráveis, a ata mostra que os dirigentes não debateram diretamente sobre quando os cortes nos juros poderiam começar.

Bolsas de NY fecham em queda, após dados e ata do Fed

As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quarta-feira (3) após investidores interpretarem dados econômicos e a ata do Fed como fatores que injetam incertezas na expectativa majoritária por agressivos cortes de juros a partir de março.

O índice Dow Jones encerrou a sessão em baixa de 0,76%, a 37.430,19 pontos; o S&P 500 perdeu 0,80%, a 4.704,81 pontos; e o Nasdaq cedeu 1,18%, a 14.592,21 pontos.

A ata do Fed expôs a preocupação de dirigentes com o relaxamento das condições financeiras e a trajetória da inflação de serviços, mas reforçou a avaliação de que os juros já estão no pico ou bem próximo dele.

Predomínio da cautela na ata do Fed

Pelo contrário, predominou o tom de cautela no documento na sinalização de como a política monetária deverá ser conduzida nos próximos meses.

“Quase todos os participantes indicaram que, refletindo as melhorias nas suas perspectivas de inflação, as suas projeções de base implicavam que um intervalo-alvo mais baixo para a taxa dos fundos federais seria apropriado até ao final de 2024”, aponta a ata.

“Os participantes também observaram, no entanto, que as suas projeções estavam associadas a um grau de incerteza elevado e que era possível que a economia pudesse evoluir de uma forma que tornasse apropriados novos aumentos no intervalo-alvo”, pondera o documento.

Assim, continua o texto do Fed, vários membros também avaliaram na reunião que as circunstâncias podem justificar a manutenção do juros no atual patamar por mais tempo do que o previsto.

“Os participantes anotaram, em geral, a importância de manter uma abordagem cuidadosa e dependente de dados para a tomada de decisões de política monetária”, sinaliza a ata.

“E reafirmaram que seria apropriado que a política permanecesse numa posição restritiva durante algum tempo até que a inflação estivesse claramente a cair de forma sustentável em direção ao objetivo”, completa o documento.