Petrobras (PETR4) segura dividendo extra e deve frustrar mercado

Medida vem após o presidente-executivo, Jean Paul Prates, ter dito que a companhia seria mais conservadora na remuneração aos acionistas

A Petrobras (PETR4) anunciou nesta quinta-feira (7) proposta para pagar dividendos regulares e extraordinários referentes ao quarto trimestre de 2023.

A proposta, aprovada pelo conselho de administração, passará por votação de acionistas em assembleia marcada para 25 de abril.

A companhia propôs pagar dividendos equivalentes a R$ 14,2 bilhões.

Pelos cálculos da Petrobras, somados aos valores já pagos referentes a 2023, os dividendos do ano passado totalizarão R$ 72,4 bilhões.

A estatal explicou que a proposta está alinhada à política de remuneração aos acionistas aprovada em julho do ano passado.

Ela prevê que, em caso de endividamento bruto de até US$ 65 bilhões, a Petrobras deverá distribuir aos seus acionistas 45% do fluxo de caixa livre.

Os dividendos propostos já levam em consideração o valor de ações recompradas no quarto trimestre de 2023 de R$ 2,7 bilhões e JCP relativos ao exercício social de 2023, no valor de R$ 1,1 bilhão.

O lucro remanescente de 2023, após os dividendos e formação de reservas, é de R$ 43,9 bilhões.

Segundo a companhia, o conselho de administração propôs que esse montante seja todo destinado para a reserva de remuneração do capital com a finalidade de assegurar recursos para o pagamento de dividendos, juros sobre o capital próprio, suas antecipações e recompras de ações.

Os dividendos complementares do quarto trimestre serão pagos em duas parcelas, uma em maio e outra em junho.

O valor total corresponde a R$ 1,09894844 por ação preferencial e ordinária.

A data de corte considerada para pagamento do dividendo será 25 de abril.

Frustração

Há meses, investidores e analistas especulavam sobre que fim a Petrobras daria aos recursos extra em caixa.

Nos últimos anos, a petroleira pagou montantes recordes de dividendos extraordinários aos acionistas, o que impulsionou suas ações.

Em relatório do mês passado, o Itaú BBA estimou que o dividendo extra poderia ficar entre R$ 23 bilhões e R$ 41 bilhões.

Recentemente, porém, o presidente-executivo da companhia, Jean Paul Prates, já havia frustrado o mercado.

Ele afirmou que a estatal pagaria menos dividendos, sob a alegação de que a empresa passa por um período de transição e que precisa ser conservadora.

Pela política adotada em 2023, a companhia poderá reservar valores extras de caixa para distribuir posteriormente aos acionistas, não podendo destinar esses montantes para outros fins.