CVC (CVCB3) sobe na bolsa e ameniza perdas após balanço trimestral ‘pouco inspirador’

J.P. Morgan não descarta que a empresa precise de uma injeção de capital em breve

A CVC (CVCB3) reportou resultados no primeiro trimestre abaixo do esperado, com prejuízo líquido e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) piores do que as projeções e rentabilidade permanecendo sob pressão, diz o Santander, em relatório.

As ações da companhia chegaram a cair perto de 5% e figuraram entre as principais quedas no pregão desta quarta-feira (10) na B3. Por volta das 17h123, os papéis avançavam 1,25%, cotados a R$ 3,23.

Os analistas Ruben Couto, Eric Huang e Vitor Fuziharo escrevem que a CVC apresentou um consumo de caixa de cerca de R$ 290 milhões durante o primeiro trimestre, desempenho operacional pouco inspirador e dinâmica de capital de giro pressionada.

Segundo eles, as reservas cresceram, com bons resultados no Brasil e na Argentina. Por outro lado, a receita foi decepcionante, e pode ser atribuída à taxa de aceitação pouco inspiradora do trimestre, causada pelo mix de vendas com maior relevância de cruzeiros, pressionado por reservas vendidas durante a Black Friday e maior penetração de viagens internacionais.

As despesas vieram dentro do previsto, mostrando um controle rígido, enquanto o Ebitda veio aquém da projeção como resultado de receitas mais baixas, com impactos negativos na alavancagem operacional, dizem eles.

O Santander tem recomendação neutra para as ações da CVC, com preço-alvo de R$ 4,50.

Injeção de capital

A CVC apresentou resultados fracos no primeiro trimestre, com comissões abaixo das expectativas, por conta de pior mix de produtos mesmo com a demanda por viagens e reservas robustas no período, diz o J.P. Morgan.

Os analistas Joseph Giordano, Nicolas Larrain e Guilherme Vilela escrevem que as vendas vieram 14% abaixo do esperado, refletindo as menores comissões, enquanto as despesas superaram expectativas.

Com isso, o prejuízo líquido por ação de R$ 0,45 veio pior do que a projeção de R$ 0,25, também impactado pela alavancagem elevada da companhia e a necessidade de descontar recebíveis.

“Vemos a companhia continuando a navegar um cenário de consumo difícil, com limitação de crédito no Brasil”, comentam. O banco não descarta que a empresa precise de uma injeção de capital em breve para apoiar seu crescimento.

O J.P. Morgan tem recomendação de venda para CVC, sem preço-alvo para as ações.