CCR (CCRO3) pode pagar cerca de R$ 1 bilhão em dividendos em 2024

Concessionária agradou com resultados do 1º trimestre; expectativa média dos analistas é de aumento de mais de 20% no lucro neste ano

A CCR (CCRO3) pode distribuir cerca de R$ 1 bilhão referentes a 2024 em dividendos aos acionistas.

O número toma como base a expectativa média de analistas de crescimento do lucro por ação deste ano, cerca de 27% acima de 2023. Considera também a meta da companhia de distribuir aos acionistas 50% do lucro em dividendos (payout). Em 2023, a CCR pagou R$ 850 milhões em dividendos.

No primeiro trimestre, a CCR (CCRO3) teve lucro ajustado de R$ 449 milhões, aumento de 41,5% ante mesma etapa de 2023.

O resultado teve apoio do resultado operacional (Ebitda), 9% acima da expectativa de analistas, que elogiaram a gestão financeira da empresa.

Disciplina financeira na CCR (CCRO3)

Em entrevista à Inteligência Financeira, a diretora de relações com investidores da CCR (CCRO3), Flávia Godoy, sinalizou o foco da companhia em redução de custos e na gestão financeira como forma de manter um desempenho sólido nos próximos trimestres e anos.

Flávia Godoy é diretora de relações com investidores da CCR. Foto: divulgação

Além do crescimento das receitas com as estradas, aeroportos e linhas de mobilidade urbana que administra, a companhia pode ter receitas extras adiante.

Isso inclui acordos com governos para receber uma espécie de indenização por perdas de receitas, como as sofridas durante a pandemia.

São os casos do VLT Carioca e do metrô da Bahia, além de potenciais alterações contratuais na ViaQuatro e nas Linhas 5 e 17 do metrô paulistano.

A ação pode se beneficiar com a solução de reequilíbrios pendentes, afirmou o Bank of America em relatório.

Dessa forma, a CCR não precisa ser agressiva, fazendo ofertas que afetem a rentabilidade no longo prazo, mesmo com cerca de R$ 180 bilhões de concessões de logística no país nos próximos três anos.

“Isso nos permite continuar sendo seletivos”, disse Flávia referindo-se aos próximos leilões para concessão de estradas e mobilidade urbana.

Em fevereiro, por exemplo, a CCR preferiu ficar de fora da disputa pelo leilão de concessão do trem São Paulo-Campinas.

Próximo alvos da CCR

Por outro lado, o presidente-executivo da CCR, Miguel Setas, indicou interesse em leilões de rodovias e de mobilidade urbana em São Paulo.

Com a proximidade do vencimento da concessões operadas pela Via Oeste (Raposo e Castelo Branco), o governo paulista fará no fim deste ano um modelo diferente na renovação, leiloando dois trechos: Nova Raposo, Sorocabana, incluindo estradas hoje sob controle estatal.

Ademais, o grupo avalia participar na licitação das linhas 11, 12 e 13 da CPTM em São Paulo.

Para Flávia, os problemas registrados com a operação das Linha 8 e 9 na capital paulista não demoveram o interesse da companhia no setor.

No ano passado, a concessionária teve queda das receitas e enfrentou multas, em meio a falhas na operação.

“Os problemas em concessões de trens em São Paulo trouxeram aprendizados e aumentaram nosso apetite por participar de novas licitações”, disse ela.

A CCR deve receber 36 novos trens para esta operação neste ano, segundo a própria companhia.

Mais eficiência de custos

Simultaneamente, a CCR trabalha num projeto que prevê reduzir cerca de R$ 500 milhões em despesas até 2026.

Enquanto isso, leva adiante um plano de reciclagem de ativos, eventualmente se desfazendo de negócios.

No começo de 2024, a CCR concluiu a venda da operadora de cabos de fibra óptica Samm por R$ 100 milhões.

Flávia disse que esse processo de reciclagem segue em andamento, mas não detalhou quais outros ativos podem ser vendidos.

Rio Grande do Sul

A CCR administra 443 quilômetros de rodovias no estado por meio da subsidiária Via Sul, que responde por cerca de 4% das receitas do grupo.

O bloco inclui trechos das rodovias BR-290, BR-388, BR-101, e BR-448, que sofreram interrupções devido às enchentes históricas no estado.

A companhia suspendeu a cobrança de pedágios na região. Mas os valores serão pagos posteriormente à companhia pelo governo.

Por enquanto, o foco da CCR está no apoio a operações de resgate de vítimas e na recuperação de trechos interditados pelas chuvas, disse a executiva.

Segundo Flávia, a companhia tem duas apólices de seguros para o negócio, uma para proteção contra lucros cessantes, outra para indenização por danos.

Ademais, a CCR também administra três aeroportos no Rio Grande do Sul (Bagé, Uruguaiana e Pelotas), todos com operações normais neste momento.

Quem é a CCR

Criada em 1999, a CCR (CCRO3) é a maior operadora de concessões de logística do Brasil e a sétima maior do mundo.

A companhia tem 39 ativos sob concessão, incluindo o sistema rodoviário Anhanguera/Bandeirantes, o aeroporto internacional de Belo Horizonte e linhas de metrô, trem e VLT em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.

Entre seus principais sócios estão o grupo Soares Penido (cerca de 15% do capital), Mover (ex-Camargo Correa, com 15%), Itaúsa e Votorantim (10% cada).

A ação da empresa tem recomendação de compra ou equivalente por parte de oito casas de investimentos: BTG Pactual, Santander, Goldman Sachs, XP, Ágora, BB Investimentos, Safra e Terra. Uma, o Bank of America, tem recomendação neutra para o papel.

Os preços-alvos vão de R$ 14,60 a R$ 20,60 para o fim de 2024.

Isso implica potencial de valorização de até 60% em relação ao preço atual.

Nos últimos 12 meses, a CCRO3 acumula queda de cerca de 4%.