Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) vão tirar Cielo (CIEL3) da bolsa

Principais sócios do negócio, os bancos farão uma oferta com prêmio de pouco mais de 6% para comprar os papéis que estão nas mão dos demais acionistas

O Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) vão tirar a Cielo (CIEL3) da bolsa. Ambos são os principais sócios da empresa de meios de pagamentos. O anúncio foi feito na segunda-feira (5). O preço por ação na oferta pública de aquisição (OPA) será ajustado por dividendos, JCP e outros proventos.

Cada um com seu fato relevante, os bancos informaram que farão uma oferta pública para comprar as ações dos demais investidores.

Com 30% do negócio, o Bradesco divide o controle da Cielo com o Banco do Brasil (BBAS3), que tem 28,65% do capital.

O preço ofertado por cada ação será de R$5,35.

Isso representa um prêmio de pouco mais de 6% em relação ao preço de fechamento do papel nesta sessão da B3, de R$ 5,03.

A Cielo continuará a ser uma empresa de capital aberto, mas sem ações listadas na B3.

Pouco antes do anúncio do BB e do Bradesco, a Cielo apresentou os seus resultados do quarto trimestre.

A companhia de pagamentos teve lucro de R$ 480,8 milhões entre outubro e dezembro, queda de 1,9% ante mesma etapa de 2022.

Apesar disso, anunciou o pagamento adicional de juros sobre o capital próprio de R$410 milhões para o mês que vem.

Bola cantada

O anúncio põe fim a anos de especulações sobre o futuro da Cielo, que enfrenta queda nos lucros diante do aumento da competição no setor de pagamentos.

Atualmente, o valor de mercado da Cielo (R$ 9,5 bilhões) é cerca de 80% menor do que o pico atingido em meados de 2016.

Além disso, o Bradesco também enfrenta queda na lucratividade nos últimos dois anos.

No sábado, a Inteligência Financeira publicou que o processo de reestruturação do Bradesco poderia ter impacto na Cielo.

O novo presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, anuncia na quarta-feira, junto com os resultados do quarto trimestre, um plano estratégico do banco.