Bolsas da Europa fecham em queda de quase 2% com inflação britânica alta e cenário ruim no exterior

Veja o desempenho das bolsas europeias nesta quarta (24)

As bolsas europeias fecharam em forte queda nesta quarta-feira (24), pressionadas por um misto de fatores negativos que pesam sobre ativos de risco.

O foco foi um dado de inflação bem acima do esperado no Reino Unido, que fez com que analistas elevassem suas previsões para o juro terminal do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês).

Índices europeus

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 1,81%, a 457,65 pontos, menor valor de fechamento desde 05 de abril.

Na bolsa de Frankfurt, o índice DAX fechou com perdas de 1,92%, a 15.842,13 pontos, e nenhuma das ações listadas terminou o dia em alta.

Já o londrino FTSE 100 recuou 1,92%, a 7.627,10 pontos.

O parisiense CAC 40 cedeu 1,70%, a 7.253,46 pontos.

Inflação

Principal fator a pesar sobre as bolsas europeias hoje, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido marcou alta de 1,2% em abril ante março, e de 8,7% na comparação anual, ambas as leituras acima do esperado (altas de 0,8% e 8,2%, respectivamente).

Já o núcleo do CPI britânico acelerou para avanço anual de 6,8%, quando o esperado era desaceleração a 6,1%.

Perspectiva para juros

Os números aumentaram o temor do mercado sobre a inflação na Europa e a resposta de bancos centrais.

Atualmente em 4,5%, a chamada Taxa Bancária do BoE deve subir mais que o esperado diante do CPI forte de abril, de acordo com a maioria dos analistas.

O economista Nick Bennenbroek do Wells Fargo projeta mais duas altas de 25 pontos-base nas reuniões de junho e agosto, para um juro terminal de 5%.

Já Paul Dales, da Capital Economics, prevê juro terminal de 5,25% e pondera que a taxa mais alta aumenta o risco de recessão no Reino Unido.

Outros fatores

Dados ruins não se limitaram à economia britânica. Na Alemanha, o índice de confiança empresarial do instituto Ifo caiu para 91,7 em maio e encerrou uma sequência de seis meses seguidos de altas.

O cenário externo também pesou sobre as bolsas europeias, em especial da China, cuja recuperação econômica tem sido tímida, o que pesou sobre commodities metálicas hoje.

O cobre para três meses negociado na London Metal Exchange (LME) chegou a operar abaixo de US$ 8 mil por tonelada hoje, no menor nível em seis meses.

Dívida americana

Já nos EUA, há cautela antes da divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) e por conta da extensão do impasse sobre o teto da dívida.

O prazo para elevar ou suspender o dispositivo está se aproximando e o mercado teme um default da dívida americana.

“Se as preocupações com as perspectivas globais não fossem suficientes com a história da recuperação da China parecendo cada vez mais fraca, agora temos o barulho cada vez mais alto do relógio do prazo do teto da dívida e o impasse contínuo entre os políticos dos EUA finalmente atraindo a atenção dos mercados financeiros”, descreve Michael Hewson, analista chefe de mercados da CMC Markets.