Bolsas dos EUA fecham em queda depois de comentários pouco animadores de membros do Fed

Declarações de diversos membros do Federal Reserve (Fed) negaram que o BC americano esteja próximo de acabar com os apertos monetários

As bolsas de Nova York recuaram nesta quinta-feira (17), com o mercado temendo a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos após declarações consideradas mais “hawkish” de diversos membros do Federal Reserve (Fed), que refutaram que o BC americano está próximo de acabar com os apertos monetários, mas sim começar a reduzir o ritmo.

O índice Dow Jones registrou perdas de 0,02%, a 33.546,32 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,31%, a 3.946,56 pontos, e o Nasdaq exibiu queda de 0,35%, a 11.144,96 pontos.

Entre os 11 índices setoriais do S&P 500, o melhor desempenho ficou com o segmento de tecnologia, com alta de 0,21%. Entre os principais ganhadores do segmento estava a Cisco Systems, que viu suas ações avançarem 4,96%, depois de a companhia elevar sua orientação para o ano inteiro e registrar receita acima das estimativas dos analistas.

Na quarta-feira, o índice Dow Jones terminou em queda de 0,12%, a 33.553,83 pontos, enquanto o S&P 500 registrou retração de 0,83%, a 3.958,79 pontos, e o Nasdaq exibiu perdas de 1,54%, a 11.183,66 pontos.

Pronunciamentos do Fed

A sessão foi marcada mais uma vez por comentários de integrantes do Fed. Hoje, o presidente da distrital do BC em St. Louis, James Bullard, disse que mesmo para quem assume uma postura menos agressiva em relação ao aumento dos juros, a atual taxa dos Fed funds ainda não está restritiva suficientemente para combater a inflação alta.

Em gráfico usado em sua apresentação, Bullard ainda sugeriu que a taxa pode precisar subir para uma faixa de 5% a 7%.

“Minha abordagem sobre essa questão é baseada em suposições ‘generosas’ – suposições que tendem a favorecer uma política mais ‘dovish’ [favorável ao afrouxamento da política monetária] em detrimento de uma mais ‘hawkish’ [favorável ao aperto da política] ”, disse ele.

“Mesmo sob essas suposições generosas, a taxa de juros ainda não está em uma zona que possa ser considerada suficientemente restritiva”, completou.

Já Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, disse que o BC americano precisa continuar aumentando as taxas de juros até ter certeza de que a inflação atingiu um teto. “O banco central não pode ser excessivamente persuadido pela inflação de um mês”, afirmou Kashkari, em um evento patrocinado pela Câmara de Comércio de Mineápolis. “Precisamos continuar elevando os juros até termos certeza de que a inflação parou de subir”, disse ele.

Títulos do Tesouro

Com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir. Perto das 18h30, o yield da T-note de dez anos avançava, a 3,773%, de 3,693% do último fechamento. Enquanto isso, o retorno do papel de dois anos subia, a 4,446%, de 4,387%. O índice dólar DXY, que mede o peso da moeda americana ante seis divisas de mercados desenvolvidos, operava em alta de 0,35%, a 106,655 pontos.

Indicadores

No front dos dados publicados hoje, a construção de novas casas nos Estados Unidos caiu 4,2% em outubro, na relação com o mês anterior, conforme apontou o Departamento de Comércio há pouco, em nota.

A retração veio maior do que a projeção de economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, de perda de 2% no período.

Já o índice de atividade manufatureira na área da Filadélfia caiu 10,7 pontos, chegando a -19,4 em novembro, segundo informou há pouco o Federal Reserve (Fed) da Filadélfia. A leitura ficou bastante abaixo do projetado por economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, de -6 pontos.