Bolsas dos EUA fecham no azul em dia de cautela com teto da dívida no radar

O S&P 500 Banks – que mede os ganhos do setor bancário – terminou o dia com alta de 1,85%, impulsionado pelo comportamento dos bancos regionais

Wall Street fechou o primeiro pregão da semana nesta segunda (15) no azul, mas com os investidores adotando cautela diante de mais sinais de desaceleração da economia de um lado – o que pode fazer com que o Federal Reserve (Fed) faça uma pausa no aperto monetário em junho – e com mais otimismo em relação a uma resolução na crise do teto da dívida americana.

No fechamento, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,14% a 33.348,60 pontos; o S&P 500 subiu 0,30% a 4.136,28 e o Nasdaq avançou 0,66% a 12.365,21 pontos. Suporte veio do setor bancário que registrou um dia positivo e da alta das ações da Meta depois que um analista elevou a recomendação da empresa, o que impulsionou o Nasdaq.

Bancos

O S&P 500 Banks – que mede os ganhos do setor bancário – terminou o dia com alta de 1,85%, impulsionado pelo comportamento dos bancos regionais.

As ações do PacWest fecharam em alta de 17,58%, Western Alliance subiu 12% e Zion avançou 8,5%.

Os grandes bancos também fecharam em alta, com o JP Morgan ganhando 0,84% e o Bank Of America subindo 2%. Já as ações da Meta – dona do Facebook – subiram 2,16% trazendo alívio ao Nasdaq.

Tesouro

Na renda fixa, o retorno da T-note de dois anos subia de 3,996% no fechamento de sexta para 4,004%, enquanto o retorno da T-note de 10 anos avançava de 3,468% para 3,506%, no mesmo intervalo. Já o índice DXY do dólar perdia 0,25%, a 102,43 pontos.

Embora no fim de semana tanto o presidente Joe Biden como a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, tenham demonstrado otimismo em relação ao fim da crise provocada pela dívida, dizendo que as negociações estão andando, o líder dos Republicanos na Câmara, Kevin McCarthy lançou um ultimatum para Biden.

McCarthy disse hoje que republicanos e democratas ainda estão muito longe de um acordo e acusou Biden de não levar a situação a sério e alertou: “Temos que fechar um acordo sobre o teto da dívida rapidamente”. Yellen no início de maio disse que o país entraria em default no início de junho. McCarthy e Biden devem se encontrar amanhã para discutir o aumento do teto da dívida.

Declarações do Fed

Também no foco do mercado estão declarações de presidentes regionais do Fed. Raphael Bostic, de Atlanta, disse hoje que não vê o Fed cortando juros este ano e que a inflação está mais resiliente do que o esperado, o que pode indicar a necessidade de novas altas nas taxas. Ele também reiterou o período de incertezas econômicas que os EUA atravessam.

Já Anton Goolsbee, do Fed de Chicago, alertou sobre a precificação do mercado financeiro e dos investidores que a seguem, lembrando do falido Silicon Valley Bank, que seguiu o mercado e não os alertas do Fed e não se protegeu contra alta dos juros.

Uma expectativa de redução da pressão do Fed vem do índice Empire State de atividade industrial, que mede o sentimento de empresas do setor no estado de Nova York, que despencou de +10,8 em abril para -31,8 em maio.

Leituras negativas representam contração econômica. O resultado foi bem pior do que analistas consultados pelo “The Wall Street Journal” esperavam: uma queda a -5. Mais indicadores serão divulgados esta semana, com o índice de vendas do varejo devendo sair amanhã de manhã. Ainda esta semana saem também os balanços do Walmart, Home Depot e Target.

“Esses relatórios vão ser importantes para sentirmos o pulso do consumidor. A expectativa hoje é de que o consumidor ainda está bem estável. O risco é de queda”, disse Yung-Yu Ma, estrategista-chefe de investimento da BMO.