Bolsas dos EUA fecham sem direção em dia de constatações sobre crise de crédito e falas do Fed

Bancos regionais seguem sofrendo em Wall Street

As bolsas de Nova York não firmaram direção única na maior parte desta segunda-feira (8) e fecharam mistas, em dia de poucos drivers significativos para o mercado em Wall Street.

Entre os destaques, uma pesquisa do Federal Reserve (Fed) mostrou menor oferta de crédito e demanda por empréstimos no primeiro trimestre, enquanto falas de um dirigente com direito a voto nas reuniões do BC esse ano sugeriu uma postura mais cautelosa para as próximas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Índices

O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,17%, a 33.618,690 pontos, o S&P 500 subiu 0,05%, a 33.618,690 pontos, e o Nasdaq avançou 0,18%,. a 12.256,92 pontos.

Condições de crédito

A pesquisa “Senior Loan Officer Opinion Survey on Bank Lending Practices” (Sloos, na sigla em inglês), realizada trimestralmente pelo Fed, informou que as condições de crédito nos EUA apertaram de forma generalizada no primeiro trimestre, após a turbulência afetou o setor bancário americano, em especial instituições regionais.

Isso já era esperado, de acordo com Edward Moya, analista da Oanda. O cenário de demanda por empréstimos, contudo, surpreendeu negativamente ao mostrar a maior parcela de bancos que registraram piora da demanda desde 2009, a 46%, segundo Moya.

Para Michael Pearce, da Oxford Economics, o levantamento mostrou ainda que as instituições credoras dos EUA pretendem continuar apertando a disponibilidade de crédito à economia nos próximos meses.

“Isso privará empresas e famílias de crédito e ajudará a levar a economia à recessão no segundo semestre deste ano”, alerta.

Ações dos bancos regionais

Após a pesquisa do Fed, ações de bancos regionais perderam fôlego em Wall Street, mas ainda fecharam em alta. O PacWest subiu 3,65%, o Zions Bancorp avançou 2,10% e o Western Alliance teve ganho de 0,59%. Exceção, o Comerica recuou 0,80% após um início de pregão positivo.

Falas do Fed de Chicago

O dia foi marcado também por falas cautelosas do presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, que vota nas reuniões do Fomc este ano. Segundo ele, o BC deve ficar atento aos impactos do aperto no crédito à economia e, por extensão, ao futuro da política monetária.

A perspectiva de um Fed mais brando – trazida pela pesquisa do BC e as falas de Goolsbee – deram fôlego aos papéis de algumas das principais empresas de alta capitalização nos EUA.

Entre elas, destacaram-se Alphabet (+2,08%), empresa controladora do Google, e a fabricante de chips NVidia (+1,64%).