Bolsas de NY fecham no vermelho, ainda refletindo o payroll e à espera por falas de Powell

Jerome Powell, presidente do Fed, fará aparição pública na terça; mercado aguarda sinalizações sobre juros depois do payroll mostrar economia aquecida

As bolsas de Nova York fecham em queda o pregão desta segunda-feira (6) com investidores ajustando posições para refletir um Federal Reserve (Fed) mais agressivo após a o relatório de empregos dos EUA, conhecido como “payroll”, de janeiro registrar alta surpreendente.

Na terça, o presidente do BC americano, Jerome Powell, realiza aparição pública e o mercado espera por novas sinalizações acerca dos próximos passos da política monetária no país.

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,10%, a 33.891,02 pontos, o S&P 500 recuou 0,61%, a 4.111,08 pontos, e o Nasdaq tinha queda de 1,00%, a 11.887,45 pontos.

Payroll ainda está na pauta

Em meio à agenda esvaziada de hoje, o mercado acionário em Wall Street ainda repercute os dados do payroll de sexta-feira, que mostraram criação de empregos bem acima do esperado e uma surpreendente queda na taxa de desemprego em janeiro.

Os números encerraram o ritmo positivo visto nas bolsas dias antes, provocado pela leitura – com base na reunião do Fed da semana passada – de que o BC dos EUA iria ser mais brando a partir de agora.

“Há pouca dúvida de que o ritmo da inflação [nos EUA] está diminuindo, mas o que vimos nas últimas duas semanas, com ações subindo fortemente, foi impulsionado em parte por ‘wishful thinking’ de que a inflação crescente que vimos ao longo dos últimos 12 a 18 meses se dissiparia com a mesma rapidez”, comenta o analista Michael Hewson, da CMC Markets.

Foco sobre Powell

Na terça, o presidente do Fed, Jerome Powell, falará em evento do Clube Econômico de Washington às 13h, e investidores aguardam por mais clareza sobre os próximos passos do BC.

De acordo com Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, o foco ficará sobre quanto Powell vai enfatizar a visão de que os juros básicos chegarão a um pico superior a 5% no curto prazo, da faixa atual de 4,5% a 4,75%.

Embora o apetite por ações tenha reduzido em Wall Street por conta do payroll, fatores técnicos ainda sugerem um bom momento para esta classe ativos, de acordo com Mensur Pocinci, chefe de análise técnica do Julius Baer.

Ele destaca, em relatório a clientes, que a média móvel do S&P 500 nos últimos 50 dias superou a dos últimos 200 dias, fenômeno conhecido por “cruzamento dourado” e que ocorreu apenas 52 vezes desde 1930, segundo Pocinci.

“Historicamente, esses sinais têm sido bastante positivos, com mais de 72% deles gerando retornos positivos um ano depois. Em média, o S&P 500 conseguiu subir 11,9% nos 12 meses seguintes”, ressalta o analista.