Bolsas da Europa fecham em baixa nesta terça-feira (21) após postura agressiva do BCE

Indicadores dão sinais de que efeito do aperto monetário e da crise energética podem ser menores do que o esperado

As bolsas europeias fecharam em queda nesta terça-feira (21), em meio à aversão ao risco nos mercados globais por conta de temores de que o aperto monetário em economias desenvolvidas seja estendido, em meio a dados econômicos fortes e a postura agressiva de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE).

O índice pan-europeu Stoxx fechou em baixa de 0,19%, a 463,77 pontos. O índice DAX da Bolsa de Frankfurt cedeu 0,52%, a 15.397,62 pontos; em Londres, o FTSE 100 teve queda de 0,48%, a 7.977,75 pontos; e o parisiense CAC 40 baixou 0,37%, a 7.308,65 pontos.

Índices de gerentes de compras de países da zona do euro e dos EUA pintaram um quadro de força das economias de países desenvolvidos apesar do forte aperto monetário adotado pelo BCE e pelo Federal Reserve (Fed).

Como ficaram os mercados europeus hoje

Às 9h, o índice Stoxx 600 operava em ligeira queda de 0,05%, a 464,41 pontos. A bolsa de Frankfurt, por sua vez, exibia queda de 0,32%, enquanto a de Paris recuava 0,30% e a de Londres tinha retração de 0,17%. O euro e a libra seguiam direções distintas, com a primeira moeda recuando 0,26% ante o dólar, a US$ 1,0654, enquanto a segunda avançava 0,56% ante a moeda americana, a US$ 1,2103.

Na manhã desta terça, alguns dados econômicos trouxeram luz a um horizonte que permanecia nublado na Europa. Há uma preocupação com o desempenho econômico dos países da região já há algum tempo, mas os indicadores apresentados deram sinais de que o efeito do aperto monetário e da crise energética pode ser menor do que o esperado.

Na Alemanha, por exemplo, o índice de confiança econômica do Instituto ZEW subiu pelo quinto mês consecutivo.

Da mesma forma, a leitura preliminar do PMI composto (que reúne dados do setor industrial e de serviços) de fevereiro da zona do euro mostrou melhora, com o índice saindo de 50,3 e alcançando para 52,3 –indicadores acima de 50 indicam expansão da atividade.

Para Salomon Fiedler, economista do Berenberg, embora ainda haja a projeção de uma pequena contração do PIB no primeiro trimestre, é provável que a produção volte a crescer a partir do segundo trimestre, de modo que a economia da região pode expandir 0,7% em 2023 e 1,6% em 2024.

“Vários indicadores iniciais –incluindo a confiança do consumidor, PMIs e a pesquisa ZEW– divulgados ontem e hoje apontam para uma melhora nas condições econômicas”, disse, em nota. “De seus níveis ultra elevados, os preços do gás natural no atacado – o principal fator de contenção das economias europeias no momento – continuaram caindo. Os EUA e a China também devem crescer mais rapidamente neste ano do que havíamos antecipado.”

Mas em tudo é otimismo. Como apontou o economista Christoph Weil, do Commerzbank, também em nota, à primeira vista, não parece haver tanta importância que o índice do setor manufatureiro tenha recuado ligeiramente 0,3 ponto, para 48,5.

“Mas uma olhada nos detalhes mostra que nuvens negras estão se formando no setor. Uma desaceleração nesse segmento geralmente deixa marcas de derrapagem em outras áreas da economia.”

Vale lembrar também que a preocupação com a inflação segue no radar do Banco Central Europeu (BCE), e um aperto monetário mais prolongado pela autoridade monetária também cria tensões entre os investidores. Ontem, Olli Rehn, membro do conselho do BCE, em entrevista ao Börsen-Zeitung surpreendeu. Como apontou Jim Reid, do Deutsche Bank, em nota pela manhã, embora Rehn seja historicamente pacifista, desta vez ele adotou um tom forte, dando eco a batida dura vinda pelo BCE, afirmando que as taxas devem ser aumentadas ainda mais após a reunião de março e que devem permanecer restritivas enquanto o núcleo da inflação ainda estiver subindo.

Enquanto isso, nas notícias de empresas, as ações do Credit Suisse operam em queda de 6,32%, após relatos de que reguladores suíços estão examinando as declarações feitas pelo presidente do banco de que os clientes pararam de sacar dinheiro no final do ano passado.

Segundo informações da agência “Reuters”, o regulador financeiro suíço Finma estaria investigando se o presidente Axel Lehmann estava ciente de que os clientes ainda estavam tirando dinheiro do banco quando disse em dezembro que as saídas haviam parado em grande parte.