Ações da Vibra (VBBR3) têm forte queda na bolsa mesmo com resultados ‘acima do esperado’

A empresa de energia tinha a maior queda do pregão na manhã desta quarta (22)

As ações da Vibra (VBBR3) registravam queda de 5,54% por volta das 11h17 desta quarta-feira, valendo R$ 13,46, o pior desempenho da sessão até o momento. O desempenho sucedeu a divulgação dos números da empresa no quarto trimestre de 2022.

A queda acontece mesmo com os analistas do mercado apontando números mais altos que as expectativas.

BTG: geração de fluxo de caixa robusta

Para o BTG, a companhia apresentou resultados operacionais melhores que o esperado e geração de fluxo de caixa livre robusta mesmo em um quarto trimestre difícil para o setor de combustíveis, diz o BTG Pactual.

Os analistas Thiago Duarte e Pedro Soares escrevem que retirando efeitos não recorrentes de perdas com estoques e operações de proteção cambial, as margens vieram acima do esperado.

“As perdas com estoque da Vibra foram o dobro dos competidores e a estratégia de ‘hedge’ da companhia se mostrou arriscada, com a empresa tentando arbitrar oportunidades”, comentam.

O banco diz que a Vibra conseguiu adicionar novos postos à sua rede e os volumes se mantiveram em patamares saudáveis mesmo com a comparação anual complicada, o que mostra a força competitiva da companhia.

Neste ano, a empresa ainda deve ficar inserida em um contexto de volatilidade do setor, mas pode ser impulsionada por novas iniciativas da companhia. No entanto, os papéis continuam sem gatilhos de curto prazo, reduzindo sua atratividade.

Recomendações e preços

O BTG Pactual tem recomendação de compra para Vibra Energia, com preço-alvo em R$ 28. Há pouco, as ações caíam 7,09%, cotadas em R$ 13,24.

O Santander tem recomendação neutra para Vibra Energia, com preço-alvo em R$ 17,50. Há pouco, as ações caíam 1,12%, cotadas em R$ 14,09.

XP: Robustez operacional

Os resultados da Vibra Energia no quarto trimestre superaram expectativas conservadoras para o período, com margens acima do esperado, refletindo a robustez operacional da companhia, diz o Santander.

Os analistas Christian Audi e Eduardo Muniz escrevem que o quarto trimestre foi complexo e volátil para o setor de combustíveis. Eles veem poucos gatilhos de curto prazo para as ações da Vibra.

O banco destaca que a empresa precisa avançar na geração de fluxo de caixa livre das aquisições recentes, incluindo Comerc, para convencer o mercado da sua proposição de valor, além de retomar pagamento de dividendos mais elevados.

Vibra: crescimento veio mesmo com volatilidade

O presidente da Vibra Energia, Ernesto Pousada, afirmou nesta quarta-feira (22) que 2022 foi um ano volátil, mas a empresa conseguiu manter a trajetória de crescimento.

Segundo ele, que participa de teleconferência sobre os resultados da companhia, a Vibra conseguiu ver a margem Ebitda normalizada no quarto trimestre.

O executivo destacou que a área de renováveis, via Comerc Energia, começou a aparecer de forma relevante na geração de caixa da Vibra.

A Vibra Energia reportou queda de 45% no lucro líquido no quarto trimestre de 2022 no comparativo anual, para R$ 566 milhões. No acumulado de 2022, a companhia registrou redução de 38,4% no lucro, para R$ 1,54 bilhão.